A solidão do novo empresário e os desafios de abandonar a estabilidade corporativa para empreender

Como a falta de educação empreendedora no Brasil torna a mudança do CLT para o privado um processo solitário e arriscado

ECON News

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04 de março de 2026
A solidão do novo empresário e os desafios de abandonar a estabilidade corporativa para empreender

A decisão de trocar a previsibilidade de um salário fixo pela incerteza do empreendedorismo é um divisor de águas na vida de qualquer profissional. Gi Patrian, empresária premiada no setor de eventos, vivenciou essa transição na pele após mais de duas décadas atuando como funcionária. Sua experiência joga luz sobre um problema estrutural: a ausência de uma cultura empreendedora na formação básica do brasileiro.

O choque de realidade, segundo a empresária, ocorre no momento em que a teoria acaba e a prática começa. "Eu fiquei no CLT 24 anos. Eu fui a primeira pessoa da minha família que realmente fui empreender e no nosso país não nos ensinam como empreender, o que é empreender. Você só vai saber exatamente quando você senta do lado de cá da mesa e começa a passar por todas as experiências".

A maior barreira dessa fase inicial não é a falta de capital, mas a ausência de uma rede de apoio. O novo empresário frequentemente se vê isolado em suas decisões estratégicas. "O mais difícil é você entender o mercado, entender como funciona, porque você não tem apoio. Você se sente muito sozinho como empresário". Patrian conclui que a reconstrução de uma rede de contatos profissionais (networking) com pessoas que já trilharam o mesmo caminho é a etapa mais lenta e dolorosa, mas absolutamente necessária para quem decide romper a bolha corporativa.