Açaí vira exemplo de como a guerra de preços destrói valor nos EUA

Exportadores precisam criar valor para crescer além da comunidade brasileira.

ECON News

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24 de julho de 2026
Açaí vira exemplo de como a guerra de preços destrói valor nos EUA

O chamado mercado da saudade — focado em vender produtos típicos brasileiros para a comunidade imigrante nos Estados Unidos — é visto como uma oportunidade promissora por novos exportadores. No entanto o que parece ser um nicho favorável rapidamente se transforma em um ambiente de forte vulnerabilidade comercial onde empresários conterrâneos comprometem a própria viabilidade financeira em uma severa estagnação de preços por não conseguirem provar o diferencial estrutural de suas mercadorias.

O especialista Tarcísio Tadeu presenciou essa saturação operacional e alerta sobre a falha de planejamento ligada à comoditização. "O mercado da saudade é muito grande, produtos como a farinha e o chocolate impactam muito os imigrantes. Mas existe hoje uma concorrência muito forte, porque todo mundo se torna distribuidor do mesmo produto" analisa o profissional.

Para ilustrar a severa perda de capital e estagnação de valor ele cita um dos ícones da exportação nacional. "O primeiro contêiner de açaí que chegou aqui foi de um amigo meu, em 2006. Depois disso, eu nunca mais trabalhei com açaí. São produtos que, pela própria comunidade brasileira, passam a se prostituir, porque a briga vira uma questão de preço. Todo mundo diz ter o melhor açaí e você não sabe quem realmente tem a melhor qualidade". A diretriz tática deixada pelo executivo é que para garantir a viabilidade financeira contínua o exportador precisa aliar gestão de custos à qualidade inquestionável mirando também a expansão corporativa para os consumidores americanos e hispânicos.