Acúmulo de funções afasta o lucro e sobrecarrega gravemente profissionais da saúde
Especialista alerta que a falta de departamentalização trava o lucro na odontologia
ECON News
Autor
A odontologia brasileira é mundialmente reconhecida por sua excelência cirúrgica e pelo trato humanizado com o paciente, mas essa superioridade técnica frequentemente mascara um erro estratégico grave e muito custoso. A incompetência administrativa é uma barreira real. Muitos dentistas no Brasil acumulam as funções de operador, recepcionista, gestor financeiro e até técnico de manutenção, criando um gargalo que impede o crescimento da clínica e leva o profissional ao esgotamento absoluto. Radicado nos Estados Unidos há 22 anos, o cirurgião Gustavo de Oliveira adverte que a sobrevivência financeira exige o abandono urgente desse modelo centralizador.
A imersão profunda no sistema americano mudou radicalmente a visão de negócios do especialista. Gustavo diagnostica que existe uma grande diferença entre o sistema administrativo de um consultório dentário nos Estados Unidos e no Brasil. Ele relata que, em termos técnicos, o dentista brasileiro é um excelente profissional, mas a questão administrativa é o grande diferencial competitivo que falta. Enquanto no Brasil o foco reside quase que exclusivamente na técnica e no afeto, na América a clínica é operada com o pragmatismo e a precisão de uma corporação lucrativa.
O erro primário de tentar fazer tudo sozinho é eliminado no modelo americano, onde a produtividade e a organização são fatores inegociáveis. O dentista detalha a estrutura de sua própria operação para ilustrar o conceito. O consultório dentário é de fato tratado como uma empresa. Hoje ele tem quinze funcionários e a estrutura sequer é considerada um consultório grande para os padrões locais. Tudo funciona dentro de um modelo seguro onde há divisão rigorosa de tarefas.
O especialista ensina que não fica tudo concentrado no escopo do dentista. Tudo tem o seu departamento devido para que o profissional possa exercer ao máximo aquilo que ele está ali para fazer, que é resolver os problemas clínicos dos pacientes de forma brilhante. O cenário provado na prática demonstra que delegar a gestão operacional é a única forma de evitar o esgotamento físico e escalar o faturamento de forma constante na área da saúde.