Como as artes marciais e o poder do tatame estão transformando a neurodiversidade em Orlando
Larissa Carvalho, revela como o jiu-jitsu atua como ferramenta terapêutica para crianças neurodivergentes
ECON News
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No cenário de alta performance das artes marciais em Orlando, na Flórida, uma nova frente de atuação profissional ganha destaque: a integração de crianças neurodivergentes através do esporte. À frente desse movimento está Larissa Carvalho, fisioterapeuta respiratória formada pela USP, Manager e fundadora da Super Power Foundation. O projeto, que une a disciplina do tatame ao suporte terapêutico, propõe uma mudança de paradigma na forma como a sociedade enxerga as limitações e potencialidades dessas crianças.
A inspiração para a fundação da Super Power Foundation surgiu de uma necessidade de transformar o "diagnóstico em esperança". Ao lidar com os diagnósticos de dislexia, TDAH e dispraxia de seus três filhos, Larissa identificou um padrão de resiliência que também estava presente em seu marido, o atleta de alto rendimento Ronaldo Jacaré. “Eu preciso achar uma esperança, preciso procurar alguma coisa. Se meus filhos são iguais ao meu marido, está tudo bem. Vai ficar tudo bem”, relata a Manager.
Sob a ótica profissional de Larissa, as artes marciais, especificamente o jiu-jitsu, oferecem benefícios que vão muito além do condicionamento físico. Para crianças autistas, o tatame funciona como um laboratório de sociabilidade e coordenação. “O transtorno acompanha várias características: muitas vezes falta de autoestima, coordenação motora não muito boa e dificuldade de sociabilidade. Dentro do tatame, elas recebem inúmeras coisas”, explica a fisioterapeuta.
O diferencial da abordagem de Larissa na academia é o acolhimento consultivo aos pais. Muitas famílias chegam sem o diagnóstico fechado ou em fase de negação. Nesse momento, a fundadora utiliza sua formação e vivência para criar uma rede de identificação. “Eu compartilho a minha história... o pai sente aquele ‘eu faço parte daqui, ela passa pelo mesmo que eu’. Mostro meus filhos cheios de medalhas de jiu-jitsu, as conquistas deles”, afirma. A metodologia da Super Power Foundation foca em substituir o "olhar de coitadinho" pelo conceito de "superpoder", incentivando a criança a entender que suas dificuldades em áreas específicas podem ser compensadas por habilidades extraordinárias em outras.
A atuação de Larissa Carvalho em Orlando redefine o papel de uma gestora de artes marciais, elevando o esporte ao status de intervenção social e terapêutica. Para ela, o sucesso do trabalho é medido pela capacidade de enxergar além das crises e comportamentos atípicos. “Eu não vejo uma criança bagunceira ou esquisita. Eu vejo as possibilidades que a vida pode dar para ela, o quão extraordinária aquela criança pode se tornar”, conclui a fundadora da Super Power Foundation.
Para saber mais sobre o assunto, assista a entrevista completa de Larissa Carvalho para o ECON Xperience acessando o nosso canal do YouTube: https://youtu.be/2Be1htxEEYc?list=TLGGb4fMFfErFKIxMjAyMjAyNg