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O sanfoneiro paraibano relata sua trajetória de recomeços: do sertão ao palco com grandes nomes da música brasileira em Orlando
ECON News
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A trajetória de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos é frequentemente marcada por reinvenções, mas poucas histórias unem o rigor comercial à paixão artística de forma tão singular quanto a de Juninho, conhecido como o "Gringo do Acordeon". Natural de Esperança, no interior da Paraíba, Juninho desembarcou em Orlando em 2017 impulsionado pelo sonho americano nutrido pelos filmes da cultura pop. Hoje, ele se divide entre a gestão de uma empresa de importação e os palcos da Flórida, onde sua sanfona acompanha astros do forró e do sertanejo. Em uma entrevista que mescla humor sertanejo e visão estratégica, ele detalha como superou um golpe empresarial no Brasil e a dureza dos primeiros anos como imigrante, consolidando-se como uma figura central no entretenimento da comunidade brasileira nos EUA.
A veia musical de Juninho pulsava muito antes de ele tocar sua primeira sanfona profissional. Na infância, ele fabricava "baterias de lata" antes de ingressar como tecladista e baterista em igrejas locais. A transição para a música secular ocorreu na adolescência, impulsionada pelo desejo de popularidade em sua cidade natal de 25 mil habitantes. "Eu fiz uma promessa para mim mesmo: 'Você será o cara mais popular da cidade'. Entrei para a onda de DJ, comecei a comprar iluminação e fui me expandindo", relata o músico e empresário. Aos poucos, ele migrou das pick-ups para o microfone, cantando por cima de playbacks de forró. O sucesso regional o levou a compor e a vender músicas para gigantes do gênero, como o Aviões do Forró. No entanto, o rápido crescimento da sua banda exigiu a contratação de um empresário, o que culminou em um duro golpe. "Ele entregou o ônibus, sumiu com o dinheiro da conta e desapareceu. Eu tinha 21 anos, fiquei decepcionado e com vergonha de encarar aquilo que estava grande e acabou", relembra.
O trauma no Brasil ativou um antigo sonho: os Estados Unidos. Após dois anos de planejamento, Juninho chegou à Flórida, mas o choque de realidade foi brutal. "É difícil pela questão cultural e pela língua. O que eu passei nos trabalhos que tive quando cheguei, se fosse hoje, eu não toparia", admite o sanfoneiro. Contudo, o "Gringo do Acordeon" trazia consigo não apenas a habilidade musical, mas um apurado senso de comércio familiar. "Minha família inteira trabalha com vendas no varejo. Vi que todo mundo queria alguma coisa dos EUA — uma blusa, um telefone — e vi nisso uma oportunidade". Essa visão deu origem à sua empresa de importação e logística, que hoje estabiliza sua vida financeira e permite que a música seja vivida como uma paixão lucrativa, e não como uma imposição de sobrevivência.
Atualmente, a Flórida abriga a maior comunidade de brasileiros nos EUA, transformando a região em um polo de grandes shows. Juninho aproveitou esse cenário para inserir sua arte. "A gente fez shows com Claudia Leitte, Matheus e Kauan, Wesley Safadão. Em todos esses eventos, o Juninho está do lado de dentro com o acordeon", orgulha-se. Ele explica que esses megaeventos funcionam como uma "vitrine" para fechar contratos em festas particulares e corporativas da comunidade. Quanto ao repertório, a demanda dita o ritmo: durante o período de festas juninas, o foco é o forró regional ("pé-de-serra"), mas no dia a dia, a preferência do público — e do próprio sanfoneiro — é clara. "Eu gosto do forró clássico, que é o berço, mas o piseiro faz o coração bater mais forte", afirma.
Curiosamente, o tino para os negócios de Juninho nasceu bem distante do glamour americano. Ele revela que seu primeiro empreendimento ocorreu ainda criança, no interior da Paraíba. "Juntei cinco reais carregando carroça de feira e comprei meu primeiro jumento. Ele era novinho, mas arisco. Depois troquei por um jumento cego e mais velho, mas que já valia 10 reais", conta o artista, arrancando risos ao provar que a habilidade de negociar e prosperar sempre esteve em seu sangue.
A jornada de Juninho, o "Gringo do Acordeon", é a tradução literal da resiliência nordestina aplicada ao "sonho americano". De empreendedor infantil em feiras livres a empresário de importação e artista de destaque na Flórida, ele prova que a capacidade de reinvenção é o maior ativo de um imigrante. "A minha vontade de vencer até hoje é tão grande que passei por cima de tudo. Hoje, graças a Deus, me sinto um vencedor", conclui o empresário e músico, antes de puxar o fole da sanfona e embalar a entrevista com a energia inconfundível do piseiro, provando que, não importa a geografia, a alma do forró sempre encontra o seu palco.
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