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ECON News
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O mercado americano é um cemitério de ilusões até mesmo para gigantes. Não é segredo que redes consagradas no Brasil, com bolsos fundos e infraestrutura robusta, tentaram abrir operações em Miami e amargaram fracassos retumbantes. O capital, por si só, não compra a cultura americana, e a confiança excessiva de achar que o sucesso nacional garante automaticamente o êxito internacional é a receita mais rápida para o desastre.
Para João Gomes, consultor tributário com mais de 20 anos de atuação nos Estados Unidos, a raiz dessas tragédias empresariais está na negligência com o dever de casa básico. "É uma tristeza quando a gente vê um negócio que veio com tanta empolgação e sonhos não ter sucesso", lamenta. Segundo ele, o principal erro dessas empresas é a ausência de um estudo de mercado rigoroso, que, embora não garanta o triunfo, é a única ferramenta capaz de blindar o caixa e aumentar as probabilidades de sobrevivência.
Uma das maiores armadilhas para o empresário é a cegueira cultural e a dependência do chamado "mercado da saudade". Muitos não entendem onde está o seu público-alvo ou como a distribuição funciona nos EUA, operando com base em achismos. "O brasileiro adora coxinha e brigadeiro, então você pega um brigadeiro e acha que os americanos vão trocar o donuts por ele. Você teria que mudar toda uma cultura para fazer com que consumam o seu produto", alerta João, reforçando que trocar o nome ou fazer uma embalagem bonita não apaga séculos de hábitos de consumo de um país.
Outro erro fatal que sangra empresas brasileiras é a teimosia alimentada pelo ego: gestores que olham para os dados, mas decidem ignorá-los. "Eles pegam os resultados de uma pesquisa e acham que aquilo não vai se aplicar ao negócio deles. Ignoram os fatos e falam: 'Não, eu vou fazer diferente, vai dar certo'. E aí, obviamente, a probabilidade de dar certo é muito baixa", pontua o especialista. Em um mercado pragmático, os números não perdoam o otimismo cego.
Para não engrossar a estatística de falências, a regra de ouro é ter humildade estratégica, independentemente de ser uma venda de produtos, serviços ou até investimentos na área imobiliária e de construção. Por mais bagagem que você tenha no Brasil, a realidade americana é um jogo inteiramente novo. "Uma das dicas que eu dou é começar pequeno. Entender como funciona sem investir muito, para dali desenvolver um case e um plano bem mais sólido para a empresa", conclui.
Sobre o especialista:
João Gomes é consultor tributário com mais de 20 anos de atuação nos EUA, licenciado CPA nos estados da Flórida e Geórgia, especializado em estratégia fiscal e mentoria para empresas e contadores. É bacharel e mestre pela Florida Atlantic University (FAU) e comanda uma empresa que oferece soluções práticas e personalizadas no cenário tributário americano. Seu foco é o planejamento tributário inteligente e a diminuição legal de impostos, atendendo brasileiros e empresas que operam nos Estados Unidos.
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