Internacionalização Entrada nos EUA exige estrutura além da estratégia de vendas
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Augusto Vaz analisa diferenças tributárias, trabalhistas e o impacto do Estado nos negócios.
ECON News
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A imigração de empresários brasileiros para os Estados Unidos frequentemente esbarra em um profundo choque de gestão, onde a adaptação a um novo modelo econômico exige a desconstrução de antigas práticas corporativas. Augusto Vaz, empresário e especialista no setor financeiro, vivenciou essa transição na pele. Após consolidar uma carreira de liderança empresarial no Rio Grande do Norte, ele migrou de forma planejada para a Flórida em 2019. Contudo, a pandemia alterou seus planos de abrir um negócio físico e o redirecionou para o mercado financeiro corporativo. Hoje atuando a partir de Tampa, Vaz gerencia contas latino-americanas e domésticas em uma multinacional de antecipação de recebíveis, o que lhe confere uma visão privilegiada sobre os gargalos burocráticos do Brasil em contraste com a eficiência do livre mercado americano.
O processo de imigração de Augusto Vaz foi fruto de um planejamento de mais de dois anos, mas a chegada da pandemia de Covid-19 o forçou a recalcular a rota profissional. Com o país fechado e a inviabilidade de iniciar um novo empreendimento físico, ele ingressou no setor financeiro corporativo. Atualmente, ele opera transações milionárias para fornecedores de gigantes como a Amazon no mercado doméstico e em países como Chile, México e Brasil. Foi nessa rotina que a diferença burocrática se tornou evidente. "Aqui nos Estados Unidos é muito prático. Na hora que você faz uma operação, joga um invoice ali que ele já tem a validade de tudo, de recibo a nota fiscal. Quando você tira a burocracia, você tira também o peso de impostos e de um sistema de contabilidade complexo", explica o especialista financeiro.
Uma das observações mais contundentes do profissional diz respeito à estrutura tributária. Diferente do Brasil, onde o imposto incide pesadamente sobre o consumo, os Estados Unidos operam com uma alta taxação sobre a renda, mas desoneram a ponta final da cadeia. "Eu pago imposto federal sobre o meu salário, que é mais ou menos 30%. Mas quando eu vou no supermercado aqui, eu pago um quinto do que eu pagava no Brasil de imposto", relata o empresário. Ele destaca que esse modelo impulsiona o poder de compra e faz a economia girar de forma acelerada, empregando em massa no varejo e barateando o custo de vida básico, já que alimentos, por exemplo, não sofrem tributação na prateleira.
A flexibilidade nas relações de trabalho é outro pilar que sustenta a competitividade americana, segundo a análise do especialista. Sem a rigidez da CLT ou a figura de uma Justiça do Trabalho desenhada para pequenos litígios, a relação entre empregador e empregado é regida estritamente por contratos privados. "O que está naquele papel ali é minha relação de trabalho. Se a empresa deixar de cumprir qualquer cláusula do meu contrato, aí sim eu posso ir na justiça comum e acionar a empresa", pontua Augusto Vaz. Ele critica a insegurança jurídica brasileira, onde a cultura do "se colar, colou" em processos trabalhistas afasta investidores e encarece o chamado "Custo Brasil", asfixiando os empregadores antes mesmo que possam oferecer salários mais competitivos.
O reflexo direto de um estado menos interventor é o volume assustador de capital que empresas privadas conseguem movimentar. A companhia em que atua, por exemplo, movimenta centenas de milhões de dólares diariamente. "É impressionante como a gente roda dinheiro na nossa empresa diariamente. Hoje a gente já consegue rodar 700 milhões de dólares por dia de antecipação de recebíveis. A gente precisa repensar o nosso país para chegar nesses patamares", analisa o especialista no setor financeiro, apontando que volumes dessa magnitude são raros até mesmo em grandes instituições bancárias no Brasil.
A trajetória de Augusto Vaz ilustra que o sucesso em mercados de alta performance exige não apenas competência técnica, mas um ambiente de negócios que favoreça o crescimento em vez de puni-lo com regulações excessivas. Para o empresário, a principal diferença entre atuar no Brasil e nos Estados Unidos é a autonomia. "Acho que aqui a gente tem uma certa regulamentação sim, mas tem menos interferência. No Brasil, acho que a gente tem uma interferência exagerada e um custo exagerado do Estado", conclui. Sua experiência reforça a urgência de reformas estruturais, tributárias e trabalhistas no Brasil, para que o país possa liberar o potencial de seus empreendedores e competir, de fato, em escala global.
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