No mercado de eventos dos EUA, só sobrevive quem prova na prática que entrega

Tony Linard revela como confiança e networking sustentam eventos brasileiros no competitivo mercado de Orlando.

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16 de abril de 2026
No mercado de eventos dos EUA, só sobrevive quem prova na prática que entrega

Trabalhar com produção de eventos é um teste contínuo de resiliência e capacidade de entrega, especialmente quando a operação acontece em um dos maiores polos de entretenimento do mundo. Para o produtor cultural cearense Tony Linard, radicado em Orlando, a maior barreira para se estabelecer na Flórida não foi a falta de público, mas a quebra de confiança deixada por empresas amadoras. O mercado de entretenimento focado na comunidade brasileira sofreu duras baixas devido a eventos não entregues, criando uma forte barreira na captação de patrocínios. "Fazer evento não é para amador, é para pessoas que querem dar o sangue. A minha dificuldade foi tentar convencer na prática as pessoas de que eu sou uma pessoa séria e que elas podem confiar naquilo que eu tenho prometido", detalhou o produtor durante ECON Experience.

Para vencer essa desconfiança estrutural e erguer festivais independentes, Linard apostou em uma estratégia que foge da simples compra de tráfego digital. Ele promoveu uma união inusitada entre a tecnologia moderna e o marketing corpo a corpo tradicionalmente latino. "Eu faço uma junção da tecnologia atual com essa tecnologia mais antiga. Ainda o velho panfleto, o velho boca a boca e as reuniões presenciais de networking me trazem muitos benefícios", revelou. Para ele, a força de uma marca em uma comunidade de imigrantes constrói-se na base do relacionamento presencial. É através desse esforço que projetos de grande escala, como o Arraiá na Roça, conseguem atrair mais de 7 mil pessoas em dois dias de operação.

A excelência na entrega desses projetos chamou a atenção não apenas do público brasileiro, mas das lideranças multiculturais americanas. Essa expansão de influência rendeu ao produtor cearense um convite para integrar o Fusion Fest, um gigantesco evento que atrai até 25 mil pessoas para as ruas de Downtown Orlando. O objetivo é apresentar ao público gringo e imigrante de mais de trinta nações a riqueza dos ritmos brasileiros, sem se prender ao calendário tradicional de festas. "Nós vamos apresentar um pouquinho do Nordeste com as danças e a música, e um pouquinho do samba. Vai ter forró junino em pleno novembro e vai ter samba de carnaval em pleno novembro", comemorou Linard no bate-papo com o apresentador Roberto Medeiros.

Aos produtores brasileiros que desejam internacionalizar suas operações e trilhar o mesmo caminho de sucesso nos Estados Unidos, Linard deixa um conselho prático, afastando qualquer ilusão de que apenas o talento cultural seja suficiente para cruzar as fronteiras. "Primeiramente eu gostaria de incentivá-los a aprender a língua inglesa e a língua espanhola. Em segundo lugar, procurar um advogado de imigração para fazer as coisas pelos meios corretos, com todas as autorizações, que não são poucas", orienta o profissional. Ele ressalta que a criatividade artística só prospera no mercado americano quando alicerçada em organização administrativa e letramento jurídico.

Veja a conversa completa com Linard em: https://www.youtube.com/watch?v=0OdMoZPPfRg