O contraste entre a emoção brasileira e a razão americana na construção de marcas internacionais
Especialista explica por que marcas brasileiras precisam trocar emoção por benefícios claros para competir e crescer no mercado
ECON News
Autor
A expansão de uma empresa para o exterior exige muito mais do que capital financeiro e tradução de campanhas publicitárias. O sucesso em novos territórios depende de uma leitura profunda da psicologia do consumidor local. Gabriel Carvalho, sócio da agência EyeSea Solutions e especialista em marketing internacional, destaca que a maior barreira para empresas brasileiras nos Estados Unidos é a diferença brutal na forma como as duas culturas processam a decisão de compra.
No mercado nacional, as marcas costumam ancorar suas campanhas no afeto e na familiaridade. Carvalho explica que essa abordagem funciona perfeitamente no país de origem devido ao perfil psicológico do público. "O brasileiro ele tem um hábito de consumo muito mais emocional tá quando você mexe com o coração do brasileiro com a paixão do brasileiro é muito mais fácil você atingir esse brasileiro e vender para ele". Em contrapartida, o cenário norte-americano apresenta uma dinâmica de saturação comercial, impulsionada pela facilidade de empreender, o que forjou um consumidor muito mais cético e pragmático.
Para sobreviver a essa concorrência extrema, o especialista ressalta que a comunicação precisa mudar de tom. "O americano ele é muito mais frio nesse sentido do que o brasileiro menos emotivo então a gente tem que comunicar muito mais os benefícios o que o produto oferece". Contudo, o sócio da EyeSea Solutions faz questão de esclarecer que ser pragmático não significa abandonar a narrativa da marca. O desafio é criar uma conexão baseada na utilidade real. "É se conectar de uma maneira diferente é se conectar através da sua história através do que você traz e mostrar pro americano de uma maneira muito direta que você traz um benefício para ele".
Apesar da frieza aparente, o mercado dos Estados Unidos oferece uma vantagem valiosa para novas marcas que sabem se posicionar de forma clara. O executivo conclui que a cultura do país favorece a inovação e o teste de novos produtos. "O americano experimenta assim ele gosta de experimentar ele tá aberto para conhecer coisas novas mas você tem que mostrar que no meio daquela infinidade de concorrentes você é uma boa opção". Portanto, a chave para construir uma marca forte na América não é apelar apenas para a emoção, mas provar de maneira rápida e direta o valor que a empresa adiciona à vida do consumidor.