Internacionalização Entrada nos EUA exige estrutura além da estratégia de vendas
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Executivo revela como a inteligência cultural orienta liderança, marketing e comunicação com brasileiros espalhados pelo mundo
ECON News
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A internacionalização de serviços financeiros exige uma capacidade de adaptação que vai muito além da tradução de idiomas ou da conversão de moedas. Para operar em escala global, as empresas precisam de profissionais capazes de decodificar o comportamento de imigrantes espalhados por diferentes continentes. É exatamente nesse cenário de alta complexidade que atua Humberto Moraes. Engenheiro civil de formação, ele migrou para os Estados Unidos, reestruturou sua carreira com foco em marketing e assumiu a liderança de expansão de grandes fintechs do setor de remessas internacionais, como Sendwave, Taptap Send e Lemfi.
Hoje, operando o mercado brasileiro a partir dos Estados Unidos e expandindo operações para o Canadá, Europa e Emirados Árabes, o executivo lida diariamente com a intersecção entre a cultura corporativa estrangeira e as particularidades do consumidor sul-americano.
O choque e a adaptação corporativa
O primeiro grande obstáculo ao assumir o comando de operações em multinacionais é o alinhamento de processos e mentalidades. Muitas vezes, a base de operações da empresa dita um ritmo que precisa ser traduzido para a realidade do consumidor final. "O maior desafio no começo foi entender a política da empresa e a cultura da empresa. A gente tem que entender a cultura da empresa e adaptar à nossa cultura", explica Humberto Moraes, gestor estratégico de mercados internacionais.
Essa tradução cultural torna-se ainda mais complexa devido à diversidade extrema dentro dos próprios escritórios dessas gigantes financeiras. As fintechs de remessas operam com equipes multiculturais para atender clientes globais. "Estou nos Estados Unidos trabalhando por uma empresa inglesa que trabalha pro resto do mundo. Hoje na empresa a gente trabalha com pessoas do mundo inteiro, tem indiano, tem europeu, tem africano, tem russo, tem americano. Eu tenho que tentar adaptar a cultura da empresa para a cultura brasileira. Essa acho que é a maior dificuldade de qualquer pessoa que trabalha em multinacionais", detalha o especialista em expansão de mercado.
A cultura secundária do imigrante brasileiro
Além de lidar com a cultura interna da corporação, o sucesso das campanhas de marketing e da aceitação do produto financeiro depende da compreensão de um fenômeno que o executivo define como "cultura secundária". O brasileiro que consome serviços de envio de dinheiro no exterior não é um público homogêneo; seus hábitos de consumo mudam drasticamente de acordo com o país de residência.
A abordagem publicitária e o relacionamento com o cliente precisam respeitar essas nuances geográficas. "O brasileiro fora do Brasil cria uma cultura própria em cada país. Apesar de o brasileiro carregar a cultura dele do Brasil pro país que ele vai, ele também pega algumas coisas da cultura da onde ele tá e isso também é um pouco diferente", pontua o líder de operações globais. Ele ressalta que essa segmentação é evidente no dia a dia da operação: "Trabalhando aqui nos Estados Unidos com o pessoal da Europa, com o pessoal dos Emirados Árabes, é bem diferente. Eu sei que são todos brasileiros, mas tem algumas particularidades."
A resiliência logística na gestão global
O aprofundamento nesse nível de detalhe cultural exige uma dedicação operacional que desafia os limites do fuso horário comercial. Liderar praças na América do Norte, no continente europeu e no Oriente Médio simultaneamente transforma a rotina do executivo em uma maratona contínua. "Às vezes não tem jeito, tem que fazer reuniões de madrugada, tem que fazer reuniões tarde da noite, mas acredito que faz parte de trabalhar com o mundo todo", conclui Humberto Moraes.
A trajetória do especialista evidencia que, no competitivo mercado global de fintechs, a tecnologia é apenas a ferramenta de entrega. O verdadeiro diferencial competitivo de uma corporação reside na inteligência humana e na capacidade de seus gestores de lerem as entrelinhas culturais, garantindo que um serviço financeiro gerido em Londres e operado nos Estados Unidos faça total sentido para um brasileiro vivendo em Dubai.
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