O que a faculdade não ensina sobre como abrir e manter um negócio na área da saúde
Stefannia Ezzi conta o choque de realidade ao trocar o jaleco pela cadeira de CEO
ECON News
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Sair do papel de um excelente médico para sentar na cadeira de dono de clínica costuma ser um duro choque de realidade. Muitos profissionais brilhantes levam seus consultórios à falência em tempo recorde por um erro simples: acreditar que a habilidade com o bisturi ou com a agulha substitui o controle do caixa e a liderança da equipe. E para quem imigra para os Estados Unidos, o desafio é ainda maior, esbarrando no preconceito e na pressão de empreender em outro país.
A Doutora Stefannia Ezzi sentiu o peso dessa mudança na pele. Após anos frustrada com as limitações dos lugares onde trabalhava, ela decidiu abrir a própria clínica para entregar o atendimento que seus pacientes realmente mereciam. "Foi muito rápida a percepção de que eu não era mais só uma médica, eu era uma gestora. E gerir um negócio não é fácil: envolve cuidar de pessoas, lidar com a parte financeira, fazer pedidos e compras", relata. Para não deixar a empresa afundar, a saída foi resgatar o que havia aprendido em uma formação de Administração no Brasil e buscar mentores experientes no mercado americano.
Mas as planilhas e os boletos não foram os únicos obstáculos. Stefannia revela os bastidores do preconceito que enfrentou ao longo de sua formação nos EUA, onde fez faculdade, mestrado e doutorado. "Como imigrante e mulher, temos que provar nossa capacidade milhões de vezes por dia. Percebi isso muito cedo na faculdade, com professores tentando me diminuir com comentários como 'o inglês não é o seu idioma'", desabafa.
Apesar das barreiras, a médica garante que a resiliência acaba virando o maior trunfo de quem decide empreender fora de casa. "Nós temos que nos provar todos os dias, mas usamos a nossa história, nossa força e nossa integridade para criar autoridade. No fim das contas, o mercado observa a sua competência", conclui a profissional.