Por que a arrogância corporativa é o maior obstáculo para startups brasileiras nos Estados Unidos
Especialista alerta que o excesso de confiança no modelo de negócios nacional leva executivos a subestimarem a concorrência
ECON News
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O sonho de fincar a bandeira de uma empresa brasileira nos Estados Unidos esbarra frequentemente em um obstáculo invisível, mas letal. Dácio Silveira, especialista em comunicação corporativa com trânsito livre nos dois países, aponta que o maior desafio da internacionalização não é a falta de capital, mas a inflexibilidade mental de médias empresas e startups.
Na avaliação do consultor, o erro primário ocorre logo na fase de planejamento. "Muitas vezes essas empresas executivas eles subestimam o grau de preparação que é necessário para estabelecer o negócio fora do país". Esse subdimensionamento nasce da crença equivocada de que o sucesso alcançado em território brasileiro é uma garantia automática de aceitação internacional. "Profissionais brasileiros muitas vezes acreditam que o que é feito no Brasil vai funcionar aqui nos Estados Unidos. E não é verdade né na maioria das vezes".
Esse choque de realidade atinge em cheio as áreas de posicionamento de marca, a escolha dos canais de mídia e o entendimento das demandas do novo consumidor, forçando até mesmo a revisão do nome original da empresa em alguns casos. Para superar essa barreira, Silveira recomenda fortemente a união estratégica com parceiros locais. "São animais diferentes né, 'different animals', a gente usa essa expressão aqui".
O mercado americano, com suas proporções gigantescas e competitividade extrema, não perdoa improvisos. O executivo conclui que a tão sonhada internacionalização só ganha tração quando os líderes aceitam mudar seu mindset e entendem que entrar nos Estados Unidos exige o recomeço da jornada de aprendizado corporativo.