Por que copiar o marketing do Brasil pode destruir sua marca nos Estados Unidos
Gabriel Carvalho mostra como adaptação e storytelling são essenciais no mercado americano.
ECON News
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A expansão de empresas brasileiras para o mercado norte-americano exige muito mais do que a simples tradução de um site ou a replicação de campanhas. Durante sua participação no ECON Experience, Gabriel Carvalho, especialista em marketing internacional e sócio da EyeSea Solutions alertou que o erro mais fatal dos empreendedores é tentar aplicar a mesma métrica de sucesso nacional no exterior. "O principal erro é achar que chegar nos Estados Unidos é só repetir a fórmula de sucesso que ele tem no Brasil, ele tá fadado ao fracasso porque é uma outra cultura e um outro público", afirma, destacando que até mesmo os imigrantes brasileiros alteram seus hábitos de consumo ao se estabelecerem no novo país.
Essa necessidade de adaptação profunda fica evidente na forma como as campanhas publicitárias devem ser estruturadas. Enquanto o varejo no Brasil é historicamente movido pela paixão e pelo impulso afetivo, o consumidor americano exige pragmatismo diante de uma oferta infinita de concorrentes. "O brasileiro tem um hábito de consumo muito mais emocional. O americano ele é muito mais frio nesse sentido, então a gente tem que comunicar muito mais os benefícios e o que o produto oferece", explica Gabriel. Ele ressalta, contudo, que a frieza não anula a conexão, exigindo que a marca prove de forma direta ser a melhor opção técnica para solucionar um problema.
Além de redefinir a mensagem central, o mapeamento geográfico é crucial para a penetração do negócio. Tratar os Estados Unidos como um bloco unificado é uma armadilha, visto que regiões da Flórida possuem uma demografia altamente globalizada, contrastando fortemente com o interior do país. "A gente tem que entender que isso aqui é um país continental. Quando você vai entrando nos Estados Unidos, vai pro Tennessee, pro Colorado, a história começa a ser diferente", detalha. Gabriel enfatiza que a definição da persona e o estudo prévio de cada estado ditam a viabilidade das operações logísticas e de comunicação.
Para sobreviver a esse cenário ultracompetitivo sem esmagar as próprias margens de lucro, o posicionamento de valor precisa substituir a disputa por centavos. Bater de frente com gigantes do varejo baseando-se apenas no custo final do produto é um caminho rápido para a falência mercadológica. "Se você entrar aqui e começar numa guerra insana de preço, é outro caminho pro fracasso porque muita gente tem fôlego muito maior do que o seu. O segredo para você fugir o máximo possível dessa guerra é trabalhar muito bem o branding e a contação de história", orienta Gabriel. A narrativa genuína da empresa torna-se, assim, o principal escudo contra a desvalorização comercial.
Na prática, o trabalho de aceleração de resultados foca em resgatar a essência da corporação e traduzi-la para as necessidades do consumidor local. Ao estruturar o planejamento de uma marca, o foco recai sobre a origem do produto e o propósito de seus fundadores. "A primeira coisa é entender a história, entender como vai se conectar e aí fazer uma união entre o benefício e o comportamento do público americano", relata. Ao alinhar esse autêntico storytelling ao networking com distribuidores e investidores corretos, a empresa ganha tração real, provando que a consolidação internacional depende intrinsecamente de identidade e inteligência de mercado.
Veja a conversa completa com Gabriel em: https://www.youtube.com/watch?v=EdEZeQ34tpk&list=PLSWo1TCWJAeaNNjOgzcDS-8ZEJsNHt4zW