Por que o atraso tecnológico do fisco americano exige que investidores brasileiros dependam de estratégias de controle interno

Mayra detalha impacto do atraso tecnológico do IRS na contabilidade americana

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16 de abril de 2026
Por que o atraso tecnológico do fisco americano exige que investidores brasileiros dependam de estratégias de controle interno

A complexidade do sistema tributário americano exige dos profissionais uma visão global de mercado e uma atualização técnica ininterrupta. A executiva e diretora operacional Mayra Chagas construiu sua trajetória nos Estados Unidos aliando aprofundamento contábil e gestão de excelência. Após iniciar como assistente em 2018, ela assumiu a diretoria de operações em 2024, liderando o atendimento a milhares de investidores estrangeiros.

O foco central dessa atuação especializada é a proteção patrimonial de clientes que investem nos EUA, mas não residem fisicamente no país. Com as recentes alterações tributárias no Brasil, a inteligência fiscal na abertura de negócios internacionais tornou-se crucial. Em um caso recente, uma estruturação adequada gerou para um cliente uma economia de cerca de 22% no Imposto de Renda pessoa física brasileiro.

"A maioria das pessoas não faz ideia e acha que só porque não é residente fiscal nos Estados Unidos não precisa se preocupar", alerta Mayra. Segundo a executiva, a forma como uma corporação é estruturada em solo americano impacta de forma direta e imediata a vida financeira do investidor em seu país de origem, transformando o caso de sucesso em um modelo a ser replicado.

Apesar de os Estados Unidos serem a maior economia do mundo, a infraestrutura dos órgãos governamentais surpreende negativamente os profissionais imigrantes. O Internal Revenue Service (IRS) ainda depende massivamente de comunicações via cartas e aparelhos de fax. Além disso, não há canais diretos ou exclusivos para a atuação dos contadores, que enfrentam o mesmo tempo de espera telefônica de um contribuinte comum.

Para ilustrar esse imenso abismo tecnológico, a diretora recorre a uma analogia precisa e bem-humorada. "Como contadora no Brasil, confesso que quando comecei a trabalhar aqui tomei um susto. A Receita Federal Americana são os Flintstones e a do Brasil são os Jetsons", compara a especialista, evidenciando o grande desafio de gerenciar processos ágeis em um sistema público engessado.

Para contornar essas limitações burocráticas e a pressão das rigorosas temporadas de impostos, o segredo está no controle interno e nas alianças globais. O escritório aposta na adoção de robustos sistemas de CRM para rastrear cada etapa dos processos e na parceria ativa com especialistas no exterior. "Somos muito parceiros dos contadores e advogados locais [do Brasil, Portugal e Espanha], pois precisamos trocar informações e finalizar declarações em conjunto", conclui a diretora.