Por que se mudar para os EUA zera o seu networking da noite para o dia

Isolamento corporativo inspirou a criação de associação de apoio na Flórida

ECON News

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01 de maio de 2026
Por que se mudar para os EUA zera o seu networking da noite para o dia

Ser transferido para o exterior costuma ser visto como o auge da carreira corporativa, mas os bastidores escondem um choque de realidade duro. A mudança traz a perda imediata de toda a rede de contatos construída ao longo de anos no Brasil. Roberto Pinho, cofundador da Associação de Profissionais Brasileiros de Logística (ABPL), sentiu esse apagão de networking na pele ao se mudar para os Estados Unidos em 2015. E foi justamente essa dor que motivou a criação de uma das maiores redes de apoio para empresas na América.

O executivo lembra bem do desespero de trabalhar em um setor que sobrevive de relacionamentos, mas sem conhecer ninguém no novo país. "Foi um impacto gigantesco. Meus 15 anos de experiência e toda a minha rede de contatos com portos, aeroportos e fornecedores sumiram no momento em que desembarquei aqui. Tive que recomeçar do zero absoluto. No comércio exterior, grande parte do negócio é saber para quem ligar na hora certa", relata Pinho.

A virada de chave aconteceu em Miami, durante um almoço de negócios. Lá, ele conheceu Hélio Coelho, outro brasileiro que enfrentava a mesma solidão corporativa. De uma simples troca de cartões e um happy hour, nasceu a ideia de criar uma rede de segurança para profissionais na mesma situação. "Nós pensamos na quantidade de pessoas que estavam passando pela mesma coisa, sem contatos e sem o acolhimento que tínhamos no Brasil. Foi assim que decidimos fundar a ABPL", explica.

Hoje, a associação virou um porto seguro para imigrantes qualificados, reunindo mais de 200 membros, entre empresários e executivos de alto escalão. A entidade funciona como um atalho comercial para quem acabou de chegar, oferecendo suporte técnico e troca de experiências. O projeto de Pinho prova que, no exterior, o sucesso do negócio depende diretamente da força da comunidade corporativa que o imigrante consegue acessar.