Por que tantas empresas têm dificuldade para formar líderes

Roberto Bertino defende visão de longo prazo e critica a busca por resultados imediatos.

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08 de julho de 2026
Por que tantas empresas têm dificuldade para formar líderes

O mercado corporativo brasileiro enfrenta um apagão silencioso evidenciado pela forte escassez de líderes dispostos a construir legados estruturais de longo prazo. A nova geração de profissionais contaminada pela cultura do enriquecimento imediato e guiada por mentores digitais que vendem atalhos ilusórios demonstra severa incapacidade de suportar a complexa construção diária de um negócio sólido gerando estagnação e forte vulnerabilidade gerencial.

O executivo Roberto Bertino não poupa críticas a esse cenário de superficialidade estrutural. "Vejo a venda de uma liderança com soluções ágeis e rápidas, e poucas pessoas pensando com visão de longo prazo. Hoje em dia, muita gente muda ao sabor dos ventos, usando metodologias divulgadas de forma cortada. Você vê a quantidade de mentores que falam sobre gestão e atividades empresariais sem nunca terem atuado no ramo ou no setor" denuncia o profissional apontando a severa falha de liderança.

Essa intoxicação digital gerada por teorias sem aplicação prática resultou em uma força de trabalho altamente frágil para setores de rígida exigência operacional. "O pessoal mais jovem quer resultados imediatistas, eles não têm a paciência de esperar um amadurecimento contínuo. A hotelaria não é um negócio fácil, é aberto 24 horas por dia, 365 dias por ano. Precisamos de pessoas com vocação de servir e hospitalidade na veia. Nosso grande desafio e preocupação é formar líderes que tenham essa visão de médio e longo prazo, para crescer de forma sustentável" adverte Bertino comprovando que a resiliência se consolidou como o recurso tático mais raro e fundamental para afastar o declínio de operações.