Prepare-se para o sistema fiscal dos EUA e entenda por que ele ainda funciona como décadas atrás
Saiba como funciona o sistema fiscal dos EUA e como lidar com processos lentos, analógicos e cheios de limitações.
ECON News
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Quando se pensa nos Estados Unidos, a primeira imagem que costuma vir à mente é a da vanguarda tecnológica. No entanto, para os profissionais de contabilidade e finanças que imigram do Brasil, a realidade dentro dos escritórios de gestão fiscal prova exatamente o contrário. Durante sua participação no ECON Xperience, a contadora Mayra Chagas compartilhou as dores e os maiores desafios de atuar na América, revelando um cenário operacional que choca quem está acostumado com a agilidade do sistema brasileiro.
O contraste na eficiência entre as duas nações é tão gritante que rendeu uma analogia bem-humorada e muito frustrante na prática. "Como contadora no Brasil, confesso que quando comecei a trabalhar aqui tomei um susto", relembra. A diferença estrutural é gigantesca: "O sistema da Receita Federal Americana versus a do Brasil é um negócio absurdo; a Bia [Beatriz Torreza, colega de trabalho] tem um termo que eu gosto muito: a Receita Federal Americana são os Flintstones e a do Brasil são os Jetsons", relatou Mayra, ilustrando o abismo digital entre os dois órgãos.
No dia a dia do escritório, esse atraso histórico se traduz em processos engessados e extrema morosidade. Enquanto o Brasil conta com plataformas digitais integradas de resposta instantânea, nos EUA as ferramentas de trabalho pararam no tempo. "O sistema com o qual trabalho diretamente, o IRS, faz comunicações todas através de carta e fax. Não temos uma resposta precisa, nem um canal direto do profissional com a Receita Federal", detalha a especialista. Para agravar a situação, os profissionais contábeis não possuem nenhum tipo de atendimento prioritário: "O tempo de espera nas ligações é o mesmo do contribuinte comum".
Embora o mercado também exija jogo de cintura com a gestão de talentos, já que existe "a rotatividade de pessoas, que também acontece no Brasil", lidar com os recursos humanos é uma tarefa controlável. O verdadeiro teto para a agilidade das empresas de contabilidade nos Estados Unidos continua sendo o setor público. Como a executiva resume de forma categórica e direta: "O nosso maior desafio é a falta de tecnologia dos órgãos".
Sobre Mayra Chagas:
Nascida em Recife (PE), Mayra Chagas possui uma trajetória profissional impressionante e ascendente. Formada em Contabilidade em 2015, especializou-se com uma pós-graduação em Direito Tributário e um MBA em Gestão Fiscal e Tributária. Sua jornada nos Estados Unidos começou em 2018 na Larson Accounting Group, atuando inicialmente como assistente da CEO Carol Larson. Com determinação e competência, rapidamente assumiu maiores responsabilidades dentro da organização. Em 2024, foi nomeada Diretora Operacional (COO), cargo no qual lidera a gestão estratégica de processos, pessoas, atendimento a clientes, além das operações comerciais e de marketing da empresa.
Veja a conversa completa com Mayra Chagas em: https://www.youtube.com/watch?v=VK3wVwFbzS4