Repassar o aumento de tarifas para o cliente resulta em encalhe de mercadorias
Tarcísio Tadeu ensina a reestruturar a margem de lucro no concorrido mercado americano
ECON News
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Aumento abrupto de tarifas alfandegárias e protecionistas nos Estados Unidos tem gerado forte instabilidade entre exportadores brasileiros. A reação instintiva da maioria dos empresários é repassar integralmente esse novo custo operacional para o preço final do produto nas prateleiras americanas. O resultado prático dessa manobra inflexível resulta no encalhe imediato das mercadorias e no cancelamento severo de contratos por parte dos distribuidores locais.
Especialista em internacionalização Tarcísio Tadeu é pragmático ao diagnosticar a solução para essa limitação comercial e alerta que o sacrifício financeiro inicial terá que vir do próprio fabricante brasileiro. Ele explica que a taxação do governo americano afeta diretamente o comprador na ponta da cadeia. O profissional detalha que, em anos anteriores, as empresas operavam com margens de lucro de até oitenta por cento. No cenário mercadológico atual, o gestor precisa obrigatoriamente absorver o impacto e reduzir o seu lucro para trinta por cento visando manter a atratividade do preço.
Choque de realidade é inevitável para quem deseja manter o território comercial conquistado e evitar a estagnação. Tadeu ensina que se no ano anterior o produto custava dez dólares e agora passa a custar dezoito, o comprador rejeitará a oferta rapidamente. Se a corporação faturava uma margem alta no passado, no ciclo atual não conseguirá manter o mesmo padrão.
O empresário tem que baixar o seu lucro e fazer uma engenharia de preço estruturada para ter um produto competitivo e de alta saída. Essa flexibilidade calculada das margens atua como a única âncora que impede a marca de perder totalmente a sua participação e ser forçada a sair do mercado americano.