Sem aconselhamento, empresas brasileiras travam na expansão para os Estados Unidos
Felipe Winston revela erros estratégicos, choque cultural e a miopia do dono que limitam o crescimento nos EUA
ECON News
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Empreendedores buscam naturalmente por professores qualificados quando decidem aprender um novo idioma ou praticar um esporte, mas paradoxalmente acreditam que devem construir e escalar companhias de forma inteiramente solitária. Essa falha comportamental é um dos principais fatores que destroem negócios, especialmente em cenários de internacionalização. O estrategista de negócios e conselheiro corporativo Felipe Winston ressalta que buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas um requisito para a sobrevivência do capital. "Quando resolvemos montar um negócio, alucinamos que devemos montar sozinho. O erro é não pedir aconselhamento, e o conselheiro deve sim te mostrar os acertos, mas principalmente te mostrar os erros para que você não possa repeti-los", explica o especialista, defendendo a importância de conselhos consultivos para empresas de todos os tamanhos.
A transição do mercado brasileiro para os Estados Unidos exige uma leitura profunda das novas regras do jogo, em vez de uma reinvenção total da identidade corporativa. A tentativa de replicar cegamente uma fórmula nacional em território estrangeiro é o caminho mais rápido para a falência. "O Brasil é um país vertical. Os Estados Unidos é um país horizontal. No Brasil o futebol é com pé, aqui é com a mão. A cultura é diferente, o jogo é diferente", ilustra Felipe. Ele aponta que muitos executivos chegam à América no "modo conquistador", mas, sem a orientação externa rápida e adequada para adaptar suas vantagens competitivas reais à nova cultura, acabam caindo no "modo sobrevivência", onde o crescimento se torna praticamente impossível.
Mesmo corporações que já faturam alto e possuem modelos consolidados enfrentam pontos cegos operacionais que apenas uma visão externa e isenta consegue identificar. O imenso volume de demandas diárias cria o que o especialista classifica como a "miopia do dono". "Nem o melhor dos vinhos consegue enxergar o seu rótulo quando ele tá dentro da garrafa", compara o estrategista de negócios Felipe Winston. Ele esclarece que, enquanto o CEO tem o controle absoluto do volante e conhece a estrada, o conselheiro atua no banco do carona, alertando sobre perigos ocultos no ponto cego do retrovisor. Essa perspectiva imparcial previne decisões catastróficas e destrava vias de crescimento que a gestão interna, viciada na própria rotina, não consegue perceber.
Em uma era de transformações hiperaceleradas, impulsionadas pela Inteligência Artificial e por novos paradigmas econômicos, tentar dominar toda nova tecnologia que surge é uma estratégia insustentável para qualquer líder. O foco corporativo deve mudar do acúmulo técnico para o posicionamento estratégico. "O que você faz é importante, como você faz é muito importante, o porquê você faz o que você faz é de suma importância, mas o que vai mudar seu jogo é o com quem, com quem você faz o que você faz", define Felipe. Relembrando debates na prestigiada Harvard Business School, ele destaca que o conhecimento técnico virou commodity, e o verdadeiro diferencial das marcas líderes é figurar nos ambientes certos, terceirizando o peso das inovações para mentes especialistas integradas ao seu círculo de alianças.
Neste cenário de excesso de informações, a participação ativa e intencional em eventos de alto nível e cúpulas internacionais de negócios deixa de ser um luxo para se tornar uma ferramenta de inteligência competitiva. O networking qualificado conecta a marca a soluções que o gestor sequer sabia que precisava. "Eu não vou nos eventos para aprender o que eu já aprendi. Eu vou nos eventos para aprender aquilo que eu nem sei que eu não sei", aconselha Felipe Winston. Ele conclui que a presença corporativa nesses espaços deve ser cirúrgica, orientando os líderes a mapearem previamente suas maiores prioridades operacionais e a buscarem intencionalmente as pessoas certas para resolvê-las, transformando conexões em rentabilidade.
Sobre Felipe Winston:
Felipe Winston é um especialista em guiar líderes pelos caminhos da escala sustentável e atua como estrategista de negócios. Com mais de uma década de experiência, construiu uma trajetória sólida unindo mentalidade e execução prática na estruturação e expansão de empresas tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, ele atua como conselheiro estratégico, ajudando empresários a tomarem decisões mais conscientes e alinhadas à realidade de um mercado marcado pelo excesso de informação e mudanças rápidas.
Veja a conserva completa com Felipe no ECON Xperience em: https://www.youtube.com/watch?v=XSfJyXnasts