Sem aconselhamento, empresas brasileiras travam na expansão para os Estados Unidos

Felipe Winston revela erros estratégicos, choque cultural e a miopia do dono que limitam o crescimento nos EUA

ECON News

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14 de abril de 2026
Sem aconselhamento, empresas brasileiras travam na expansão para os Estados Unidos

Empreendedores buscam naturalmente por professores qualificados quando decidem aprender um novo idioma ou praticar um esporte, mas paradoxalmente acreditam que devem construir e escalar companhias de forma inteiramente solitária. Essa falha comportamental é um dos principais fatores que destroem negócios, especialmente em cenários de internacionalização. O estrategista de negócios e conselheiro corporativo Felipe Winston ressalta que buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas um requisito para a sobrevivência do capital. "Quando resolvemos montar um negócio, alucinamos que devemos montar sozinho. O erro é não pedir aconselhamento, e o conselheiro deve sim te mostrar os acertos, mas principalmente te mostrar os erros para que você não possa repeti-los", explica o especialista, defendendo a importância de conselhos consultivos para empresas de todos os tamanhos.

A transição do mercado brasileiro para os Estados Unidos exige uma leitura profunda das novas regras do jogo, em vez de uma reinvenção total da identidade corporativa. A tentativa de replicar cegamente uma fórmula nacional em território estrangeiro é o caminho mais rápido para a falência. "O Brasil é um país vertical. Os Estados Unidos é um país horizontal. No Brasil o futebol é com pé, aqui é com a mão. A cultura é diferente, o jogo é diferente", ilustra Felipe. Ele aponta que muitos executivos chegam à América no "modo conquistador", mas, sem a orientação externa rápida e adequada para adaptar suas vantagens competitivas reais à nova cultura, acabam caindo no "modo sobrevivência", onde o crescimento se torna praticamente impossível.

Mesmo corporações que já faturam alto e possuem modelos consolidados enfrentam pontos cegos operacionais que apenas uma visão externa e isenta consegue identificar. O imenso volume de demandas diárias cria o que o especialista classifica como a "miopia do dono". "Nem o melhor dos vinhos consegue enxergar o seu rótulo quando ele tá dentro da garrafa", compara o estrategista de negócios Felipe Winston. Ele esclarece que, enquanto o CEO tem o controle absoluto do volante e conhece a estrada, o conselheiro atua no banco do carona, alertando sobre perigos ocultos no ponto cego do retrovisor. Essa perspectiva imparcial previne decisões catastróficas e destrava vias de crescimento que a gestão interna, viciada na própria rotina, não consegue perceber.

Em uma era de transformações hiperaceleradas, impulsionadas pela Inteligência Artificial e por novos paradigmas econômicos, tentar dominar toda nova tecnologia que surge é uma estratégia insustentável para qualquer líder. O foco corporativo deve mudar do acúmulo técnico para o posicionamento estratégico. "O que você faz é importante, como você faz é muito importante, o porquê você faz o que você faz é de suma importância, mas o que vai mudar seu jogo é o com quem, com quem você faz o que você faz", define Felipe. Relembrando debates na prestigiada Harvard Business School, ele destaca que o conhecimento técnico virou commodity, e o verdadeiro diferencial das marcas líderes é figurar nos ambientes certos, terceirizando o peso das inovações para mentes especialistas integradas ao seu círculo de alianças.

Neste cenário de excesso de informações, a participação ativa e intencional em eventos de alto nível e cúpulas internacionais de negócios deixa de ser um luxo para se tornar uma ferramenta de inteligência competitiva. O networking qualificado conecta a marca a soluções que o gestor sequer sabia que precisava. "Eu não vou nos eventos para aprender o que eu já aprendi. Eu vou nos eventos para aprender aquilo que eu nem sei que eu não sei", aconselha Felipe Winston. Ele conclui que a presença corporativa nesses espaços deve ser cirúrgica, orientando os líderes a mapearem previamente suas maiores prioridades operacionais e a buscarem intencionalmente as pessoas certas para resolvê-las, transformando conexões em rentabilidade.

Sobre Felipe Winston:

Felipe Winston é um especialista em guiar líderes pelos caminhos da escala sustentável e atua como estrategista de negócios. Com mais de uma década de experiência, construiu uma trajetória sólida unindo mentalidade e execução prática na estruturação e expansão de empresas tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, ele atua como conselheiro estratégico, ajudando empresários a tomarem decisões mais conscientes e alinhadas à realidade de um mercado marcado pelo excesso de informação e mudanças rápidas.

Veja a conserva completa com Felipe no ECON Xperience em: https://www.youtube.com/watch?v=XSfJyXnasts