Sem adaptação cultural, marcas brasileiras entram nos EUA já condenadas ao fracasso

Produtos de sucesso no Brasil falham nos EUA quando empresários ignoram hábitos do consumidor americano

ECON News

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09 de março de 2026
Sem adaptação cultural, marcas brasileiras entram nos EUA já condenadas ao fracasso

A entrada de empresas brasileiras nos Estados Unidos é frequentemente marcada por uma confiança excessiva que beira a irresponsabilidade tática. Igor Pipolo, operador logístico que presencia diariamente o desembarque de novas marcas na América, adverte que o maior obstáculo para a internacionalização não é a alfândega, mas a arrogância do empresário que se recusa a adaptar seu produto à cultura local.

O executivo é categórico ao afirmar que o sucesso em território nacional não garante relevância no exterior. "A gente vem com uma certa arrogância: 'ah, no Brasil eu sei fazer, no Brasil eu conheço'. Mas o Brasil é diferente dos Estados Unidos. Quando a gente vem para cá, a gente até aprende inglês, mas aprender sobre a cultura é uma vida".

Pipolo utiliza uma analogia didática para ilustrar o erro de tentar forçar hábitos de consumo. "Eu sempre repito o seguinte: americano não come pão de queijo, ele come pretzel. Não adianta você vir para cá vender pão de queijo, você vai vender para um grupo de brasileiros. Ensinar uma comunidade americana a comer pão de queijo vai demorar uma vida".

O alerta estende-se a outros produtos, como a modelagem de roupas, que não se ajusta ao padrão corporal do americano, e até mesmo ao mercado de água de coco, que nos EUA é consumida predominantemente em versões saborizadas (como abacaxi e pêssego). O conselho de ouro do especialista para evitar prejuízos milionários e estoques encalhados é a imersão prévia. "Contrate um serviço de pesquisa para definir como vai se comportar o seu produto nos Estados Unidos e quais são as adequações que ele precisa fazer".