Treinar equipes do zero a cada fim de semana sangra o caixa de bufês nos Estados Unidos

O pesadelo da alta rotatividade. Entenda o que aniquila marcas brasileiras que operam com dezenas de temporários nos EUA

ECON News

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20 de março de 2026
Treinar equipes do zero a cada fim de semana sangra o caixa de bufês nos Estados Unidos

O maior fantasma que assombra os empresários do setor de eventos nos Estados Unidos não é a falta de clientes, mas a volatilidade da mão de obra. Diferente do Brasil, onde as empresas mantêm grandes equipes registradas, o mercado americano de hospitalidade é movido por freelancers. A dor de montar, treinar e inspirar uma equipe diferente a cada final de semana é o principal teste de fogo para a sobrevivência de um bufê de luxo.

A chef Karla Fonseca confessa que o gerenciamento de pessoas é a parte mais exaustiva do seu negócio. "A gestão é o mais desafiador, principalmente para mim, que sou da área criativa. Aqui é tudo muito freelancer. Você tem uma equipe fixa na cozinha, mas o serviço de salão muda muito", revela.

A matemática da operação é complexa. A base fixa de Karla conta com cerca de seis pessoas (incluindo seu marido e filho), mas a operação flutuante exige até 50 prestadores de serviço simultâneos em um final de semana com três grandes eventos. "Já imaginou colocar 30 ou 40 pessoas que nem sempre estão habituadas a fazer eventos todas as semanas? Treinar essa pessoa em um curto espaço de tempo é um desafio".

Para não deixar a peteca cair e destruir a reputação da marca, a chef implementou um sistema de alinhamento cultural rigoroso antes de as portas se abrirem. "Em cada evento, você tem que reunir a galera e passar a sua identidade. Eu digo: 'Gente, hoje a gente tem que fazer com amor, sorriso e atenção. Se alguém pedir algo que não tenha a ver com comida, não diga que não trabalha com isso; fale que vai ajudar'. A gestão é a parte mais desafiadora nos Estados Unidos", conclui a empresária, destacando que a empatia no salão não pode ser terceirizada.