Inteligência artificial inaugura nova era de produtividade na construção civil, afirma especialista
Alex Lira explica como a inteligência artificial moderniza a construção civil e eleva a produtividade no mercado global.
ECON News
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A inteligência artificial vem se consolidando como um dos principais vetores de transformação da construção civil, setor historicamente marcado pela baixa digitalização e por processos fragmentados. O engenheiro civil Alex Lira, CEO da ConstruLAB e referência global em construção digital, afirmou que a tecnologia representa uma oportunidade inédita para modernizar a engenharia e elevar a produtividade da indústria.
Fundada pelo engenheiro civil brasileiro Alex Lira, a ConstruLab já atua globalmente na implementação de tecnologias inovadoras no setor de arquitetura, engenharia e construção (AEC). “A digitalização da construção civil não é mais uma tendência, mas uma necessidade para reduzir custos, otimizar prazos e aumentar a eficiência operacional”, destaca Lira, que também é consultor em projetos de impacto global.
Segundo Lira, a construção civil demorou a acompanhar a evolução tecnológica observada em outros setores. “A construção é uma das indústrias que mais se atrasou no processo de digitalização. É uma indústria milenar, muito fragmentada e intensiva em mão de obra, o que torna qualquer mudança mais lenta e custosa”, explicou. Para ele, a inteligência artificial cria agora um ponto de virada, permitindo que o setor alcance níveis de eficiência já consolidados em áreas como a indústria automotiva e a aviação.
O especialista destacou que ferramentas baseadas em modelos de linguagem e automação já exercem papel relevante no cotidiano da construção, especialmente para profissionais imigrantes nos Estados Unidos. “Hoje, a inteligência artificial ajuda em pesquisa, tradução, organização de ideias e análise de grandes volumes de informação. Isso acelera muito a adaptação de quem chega ao mercado americano”, afirmou.
Lira também chamou atenção para as diferenças estruturais entre a construção civil no Brasil e nos Estados Unidos. De acordo com ele, além dos sistemas construtivos distintos, como o uso predominante do wood frame em residências americanas, há divergências profundas na forma de licenciamento profissional. “No Brasil, a formação já funciona como licenciamento. Nos Estados Unidos, formação e licença são processos separados, o que exige um caminho diferente para o profissional atuar”, explicou.
Nesse contexto, a inteligência artificial surge como ferramenta educacional e operacional. “Ela ajuda o profissional a entender normas locais, superar a barreira da língua e adaptar relatórios, documentos e processos ao padrão americano”, disse. Segundo o engenheiro, já existem aplicações práticas em que relatórios de obra gravados em áudio em português são convertidos automaticamente em documentos técnicos em inglês, seguindo o formato exigido pelo mercado local.
Além da IA generativa, Lira destacou a integração da inteligência artificial com tecnologias de visualização, como drones, câmeras 360 graus e scanners. “Quando você adiciona visão computacional, a IA passa a analisar dados visuais da obra, otimizando relatórios, pagamentos, atualizações de projeto e comunicação com investidores”, afirmou. Para ele, empresas que coletam, tratam e compartilham dados de forma estruturada tornam-se mais confiáveis e valiosas no mercado.
No que diz respeito à produtividade e à lucratividade de pequenos e médios negócios, o especialista apontou a gestão de dados como fator central. “A grande dificuldade do empresário é saber exatamente o custo da obra e se ele está, de fato, tendo lucro. A inteligência artificial ajuda a controlar insumos, produtividade e orçamento com muito mais precisão”, explicou. Segundo Lira, a tecnologia pode substituir parte do back office tradicional, reduzindo custos administrativos e aumentando a eficiência.
Ao falar sobre o futuro da profissão, Alex Lira ressaltou que a principal habilidade exigida dos profissionais da construção será a curiosidade. “Quem não for curioso e não gastar tempo entendendo a inteligência artificial vai ficar para trás. O uso da IA não é trivial, exige compreensão de como, onde e por que aplicá-la”, afirmou. Ele lembrou que já existem dezenas de aplicações práticas da tecnologia apenas dentro da construção civil.
Para o engenheiro, a transformação é inevitável. “A inteligência artificial vai impactar todas as indústrias, sem exceção. Quando se observa para onde o dinheiro está indo, fica claro que o foco é IA”, concluiu.
Saiba mais
Veja a conversa completa com Alex Lira no ECON Xperience disponível no nosso canal do YouTube https://www.youtube.com/watch?v=B39juMqAXTU&list=PLSWo1TCWJAeaNNjOgzcDS-8ZEJsNHt4zW&index=63