A estratégia do capital humano na transição para o mercado global

Poliana Conti analisa os desafios da liderança internacional e a relevância de manter a identidade profissional no exterior.

ECON News

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16 de fevereiro de 2026
A estratégia do capital humano na transição para o mercado global

A ascensão ao topo da pirâmide corporativa em uma multinacional americana exige mais do que competência técnica; demanda uma inteligência cultural e emocional refinada para lidar com mercados globais. Poliana Conti, especialista de carreira e fundadora da Partners 4 Growth®, é uma voz autoritária nesse cenário. Com uma trajetória de 18 anos nos Estados Unidos, Poliana migrou após consolidar-se como diretora de RH no Brasil para assumir responsabilidades globais na Honeywell, gerenciando aquisições de talentos e fusões de culturas em divisões com faturamentos bilionários. Hoje, ela atua auxiliando líderes e profissionais a navegarem pelas complexidades do mercado internacional, enfatizando que o sucesso sustentável reside na força das relações humanas.

A transição de Poliana para a sede americana da Honeywell foi marcada por um choque de realidade entre o inglês corporativo aprendido no Brasil e a dinâmica das reuniões de C-level. "Profissionalmente foi um desafio. Uma coisa é você falar o inglês estando no Brasil, outra coisa é você estar com líderes de uma multinacional americana com faturamento de 1.5 Bilhões de dólares, sentando à mesa sendo a única mulher", relata a especialista de carreira. Ela destaca que a gestão de talentos em larga escala exige uma adaptação constante às culturas locais. Em sua experiência com mais de 40 países, Poliana observou que, enquanto estruturas hierárquicas tendem a sufocar a criatividade e a confiança, lideranças abertas à escuta ativa conseguem adaptar estratégias globais com sucesso, citando como exemplo mudanças em operações na Coreia baseadas no feedback local.

Para os brasileiros que buscam a internacionalização, Poliana é enfática sobre a necessidade de um planejamento rigoroso. Mesmo tendo migrado com suporte corporativo (visto L1), ela enfrentou surpresas, como a necessidade de revalidação do diploma de medicina de seu marido, algo não previsto inicialmente. "Não se exponha, venha com cautela", aconselha. Além da logística, a profissional ressalta a importância de manter a integridade da carreira construída no país de origem. "O recomeço tem que começar de um ponto e não de um zero. Ninguém começa do zero. Todos nós temos habilidades e competências criadas no decorrer da vida. Não desista de quem você é, ou você pode perder totalmente a identidade", afirma Poliana Conti, versando sobre a preservação da autoestima profissional.

No que tange à performance de equipes extraordinárias, a executiva define a confiança baseada na vulnerabilidade como o alicerce fundamental. Ela defende que times de alto rendimento não são aqueles que buscam uma harmonia artificial, mas os que se permitem o conflito de ideias. "A pior coisa para o resultado de uma empresa é quando o líder quer ser bonzinho e manter uma harmonia que não é verdadeira. É preciso ter conflito de ideias para que as pessoas se sintam ouvidas e se comprometam com a decisão final", explica a fundadora da Partners 4 Growth®. Para ela, a liderança inspiradora é aquela que comunica o "porquê" e não apenas o "o quê", gerando o senso de accountability (responsabilização) necessário para resultados acima da média.

Diante de um mundo acelerado pela Inteligência Artificial e por estruturas organizacionais matriciais, Poliana Conti acredita que a habilidade indispensável para os próximos meses é a capacidade de conexão humana profunda. Através de seu método "Partners 4 Growth®", ela propõe que líderes cultivem o propósito e o alinhamento, sustentados por quatro pilares que chama de "4Gs": ser enraizado (grounded), ter graça (gentileza), ter gratidão e manter a governança. "As pessoas estão se conectando com o ser humano, com o seu CPF, não com o seu CNPJ", conclui a especialista. Para Poliana, o futuro do trabalho exige que o líder se cuide primeiramente como indivíduo para, então, ser capaz de inspirar e conduzir equipes multigeracionais rumo ao crescimento sustentável.

Confira a conversa com Poliana Conti no ECON Xperience em: https://www.youtube.com/watch?v=_QdUS0rkFJE&list=PLSWo1TCWJAebog4bkdPKJ99l7SKJ7Opi2&index=6