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Thiago Rieser revela a realidade dos food trucks nos EUA, os entraves burocráticos e por que marketing é vital para lucrar.
ECON News
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Empreender no setor de alimentação móvel nos Estados Unidos costuma ser romantizado nas redes sociais, frequentemente acompanhado de promessas de lucros exorbitantes e facilidade operacional. No entanto, a prática exige um rigoroso planejamento financeiro e uma imensa capacidade de adaptação. Thiago Rieser, empresário e fundador do food truck Taco & Grill, vivencia essa rotina nas ruas da Flórida. Com um cardápio focado na culinária mexicana, ele construiu um negócio sólido ao decifrar as complexidades burocráticas americanas, a forte influência climática nas vendas e as barreiras culturais do próprio público imigrante, fatores que o levaram a consolidar uma base de clientes predominantemente hispânica e americana.
A escolha do nicho gastronômico foi o primeiro grande desafio da operação. Casado com uma descendente de mexicanos, Thiago optou por essa culinária visando uma maior abrangência de mercado, mas a estratégia esbarrou no conservadorismo do paladar brasileiro local. "Eu sinto que o brasileiro tem esse medo da comida ser muito picante ou um sabor que ele não tá acostumado. Eu vejo que o brasileiro vem, vê a comida brasileira e fala que não vai comer ali, que é mais garantido", explica o proprietário do Taco & Grill, justificando a formação de um público quase 100% hispânico em seu estabelecimento.
Mesmo com um ano inteiro dedicado ao estudo de viabilidade, a teoria não evitou falhas de dimensionamento físico. Com o desejo de evitar endividamentos iniciais, ele adquiriu um veículo menor à vista, uma decisão cautelosa que hoje limita a expansão do seu menu e o fluxo de trabalho. "Eu mesmo estudando depois de um ano, eu vi que eu podia hoje, com um ano e tanto já de food truck, eu vejo que eu penso completamente diferente do que eu estava planejando", avalia o empreendedor, recomendando que novos investidores conversem francamente com operadores reais para conhecer as dores do negócio, em vez de confiar apenas nas narrativas de sucesso da internet.
Outro ponto crítico abordado pelo profissional é a burocracia estatal. Diferente da crença popular, o processo de abertura nos EUA exige aprovações em múltiplas instâncias, passando por cozinhas industriais credenciadas (commissary kitchens), licenças de fogo e vistorias rigorosas do veículo. Para dar celeridade ao processo e evitar erros documentais, o empresário recorreu a especialistas. "Custou um pouco mais caro, mas para me ajudar eu contratei uma pessoa que me auxiliou em tirar todas essas licenças. Se eu fosse fazer sozinho, eu demoraria pelo menos uns dois, três meses para finalizar todo esse processo", relata o empresário.
A gestão financeira de contingência também se provou vital para enfrentar a sazonalidade. O faturamento de um comércio de rua oscila drasticamente com o clima, especialmente durante ondas de frio rigoroso na Flórida, quando a população evita sair de casa. Thiago desmistifica a ideia do lucro imediato e ininterrupto: "A gente ouve histórias que o cara montou um food truck e tá ganhando 100 mil dólares por mês. Não que você não vá ganhar dinheiro, porém você tem que estar analisando onde vai parar e seus custos". Ele reforça que o segredo da sobrevivência é manter uma reserva para os meses de baixa lucratividade e investir pesadamente em presença digital. "A grande coisa é divulgar e estar na internet postando constantemente a sua comida", pontua.
A trajetória de Thiago Rieser ilustra que o sucesso comercial no competitivo mercado americano não se constrói com improvisos ou expectativas irreais. A transição de um projeto no papel para uma operação gastronômica lucrativa exige resiliência, inteligência administrativa e, acima de tudo, a humildade de corrigir rotas diariamente. Para o empresário, o fortalecimento de qualquer negócio passa por alinhar o produto às demandas reais da vizinhança e profissionalizar as obrigações fiscais. Consolidado no setor, ele encerra sua análise estendendo um convite amigável para que a própria comunidade brasileira rompa suas barreiras e preconceitos alimentares. "Para quem gosta, a gente vai colocar pimenta. Para quem não gosta, pode passar lá e comer, experimentar, que você não vai morrer com a pimenta", conclui o especialista em alimentação móvel, provando que o diálogo e a flexibilidade no atendimento são os ingredientes finais para a longevidade empresarial.
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