De motorista de aplicativo a produtor de megaeventos no mercado de entretenimento dos EUA

Alberto Vaz mostra como resiliência, tecnologia e experiências premium o levaram aos megaeventos em Miami.

ECON News

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19 de fevereiro de 2026
De motorista de aplicativo a produtor de megaeventos no mercado de entretenimento dos EUA

A jornada do imigrante brasileiro nos Estados Unidos é frequentemente marcada por recomeços que exigem extrema adaptabilidade. Para Alberto Vaz, fundador da W2K Entertainment e criador da plataforma Hey Cities, essa máxima se provou verdadeira. Após anos atuando como produtor da banda Chiclete com Banana na Bahia, Vaz imigrou para os EUA em 2016 com a intenção de afastar-se do mercado de eventos. No entanto, sua vocação falou mais alto. De motorista de aplicativo e locador de quartos na Califórnia, ele retornou às suas raízes para suprir uma carência de entretenimento qualificado para a comunidade brasileira. Hoje radicado em Miami, Alberto assina a produção de festivais com nomes de peso como Bell Marques e Alok, além de liderar inovações tecnológicas no setor de vendas de ingressos, consolidando-se como uma das figuras mais estratégicas do show business brasileiro na América.

A transição de Alberto Vaz para o mercado americano começou bem longe dos palcos. Nos primeiros anos em Los Angeles e São Francisco, ele identificou oportunidades em necessidades básicas dos imigrantes: moradia e transporte. "Comecei empreendendo em carros para alugar para outros brasileiros e sublocando quartos. Cheguei a ter oito casas e 14 carros alugados", relata o empresário. O retorno ao entretenimento ocorreu de forma orgânica durante a Copa do Mundo de 2018, quando ele organizou uma feijoada que teve os ingressos esgotados. "Percebi que existia um nicho que não estava sendo atendido: festas com um certo detalhamento e cuidado com o cliente", explica Vaz. A virada de chave definitiva veio no mesmo ano, ao produzir uma block party com o cantor Saulo. "Ver baianos que moravam lá há 10 anos sem acesso presencial à sua cultura me fez perceber que minha missão era levar alegria para aquelas pessoas", pontua.

O sucesso nas produções americanas carrega o DNA da escola do axé. Alberto destaca que a disciplina e o perfeccionismo absorvidos durante seus anos com o Chiclete com Banana foram fundamentais para sua atuação atual. "O Chiclete com Banana foi uma escola. Eles eram muito criteriosos. Bell (Marques) é uma pessoa viciada em trabalho e isso sempre me inspirou. Hoje eu quero um evento impecável desde a entrada; me preocupo com cada detalhe para que toda a experiência do cliente saia perfeita", afirma o produtor de eventos. Essa exigência técnica é crucial em um mercado nichado como o americano, onde, segundo Vaz, "fazer uma festa de 1.000 pessoas dá um trabalho às vezes maior do que um evento de 10.000 pessoas feito no Brasil".

Além da produção artística, Alberto Vaz identificou um gargalo tecnológico na gestão de eventos. Frustrado com as limitações de grandes tiqueteiras, ele desenvolveu a Hey Cities, uma plataforma white label de vendas de ingressos que atende outros produtores. "Ao invés do cliente ir no site de terceiros comprar o ingresso, ele vai no próprio site do evento, que nós criamos, com toda a informação e a venda do ticket por ali mesmo", explica o criador da plataforma. A solução já foi utilizada em shows de destaque, como o de João Gomes em Orlando, provando que a inovação tecnológica é um pilar tão importante quanto a atração principal.

O amadurecimento profissional de Alberto também foi forjado na dor. Ele passou quase seis anos sem retornar ao Brasil, período em que perdeu o pai. Essa ausência física trouxe uma nova perspectiva sobre sua missão. "O sonho dele era me ver aqui vencendo. Isso fez com que o esforço fosse dobrado depois da partida dele para que tudo viesse a fazer sentido", revela. Com essa maturidade, o foco atual de sua produtora é a sofisticação das experiências. Para celebrar a virada do ano de 2025 para 2026, a aposta foi o Era New Years, um evento de alto padrão no rooftop (cobertura) do hotel Arlo Wynwood, em Miami. "O evento não depende de artista, mas do público que construí, um serviço provido por um hotel de alto nível, uma visão 360º da cidade para a queima de fogos, cenografia e artistas fantasiados na entrada", detalha.

A trajetória de Alberto Vaz é um manual de sobrevivência e expansão no competitivo mercado americano. Ao unir a excelência operacional herdada dos grandes carnavais da Bahia à inovação tecnológica do Vale do Silício, ele construiu um modelo de negócios que transcende a simples venda de ingressos, entregando experiência e pertencimento à comunidade brasileira. Para os novos empreendedores que buscam os Estados Unidos, o conselho do empresário é pautado na prudência. "Acho que a gente tem que ter coragem de desbravar esse país, mas fazer tudo sonhando grande, porém planejando cada passo, cada detalhe, com muita paciência para não tropeçar e ter que voltar algumas casas", conclui o empresário baiano. O sucesso da W2K Entertainment prova que, com estratégia e respeito ao público, é possível exportar a alegria brasileira e consolidá-la como um produto premium no exterior.