Exportar para os EUA não é mandar produto, mas sim entender um consumidor que pode destruir ou consagrar sua marca

Especialista alerta: sem adaptação cultural e estudo de mercado, marcas brasileiras fracassam ao tentar vender nos EUA.

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12 de março de 2026
Exportar para os EUA não é mandar produto, mas sim entender um consumidor que pode destruir ou consagrar sua marca

O mercado norte-americano é altamente atrativo para empreendedores brasileiros que buscam a internacionalização, mas o simples envio de mercadorias não garante rentabilidade. O sucesso de uma operação de exportação exige uma compreensão profunda não apenas da cadeia de suprimentos, mas do comportamento local. Em conversa com Danillo Arboés no ECON Xperience, a especialista em logística internacional Rosana Rondinelli, CEO da RoxLog Logistics and Trading, detalhou as diferenças cruciais entre atuar no Brasil e nos Estados Unidos. Ela enfatiza que, embora a América seja um polo de alto consumo, a abordagem exige um planejamento estratégico que vai muito além da saudade dos expatriados.

Muitas empresas cometem o erro de focar exclusivamente na comunidade de imigrantes, perdendo a chance de escalar globalmente em um país multicultural. Para a especialista, mirar apenas nos brasileiros anula o propósito da internacionalização. "Quando a gente vem para cá a gente vem atendendo um mercado brasileiro porque a gente chama esse mercado mercado da saudade, mas a gente tem que também quando vir pros Estados Unidos a gente tem que vir já com a vontade de pegar um mercado maior porque se você quer só brasileiro você já tá no Brasil", explica Rosana, ressaltando que o mercado americano abrange latinos, europeus e asiáticos.

A aceitação de um produto no Brasil não é um selo de garantia no exterior devido a fortes diferenças sensoriais e de marketing. Usando o setor alimentício como exemplo, a profissional aponta que o paladar americano exige formulações próprias, geralmente mais doces. No entanto, o público local possui uma característica muito vantajosa: a alta fidelidade e confiança nas marcas. "O mercado americano ele é muito consumidor também ele acredita em tudo que a gente tá colocando aqui e ele vai usar aquilo como verdade absoluta", afirma a especialista. Segundo ela, o consumidor americano leva as promessas do produto ao pé da letra, o que facilita a entrada se a entrega for honesta e precisa.

Após a adequação do produto, a execução eficiente do frete e do armazenamento torna-se o próximo grande gargalo. Com dimensões continentais, os Estados Unidos exigem capilaridade e precisão para que a mercadoria chegue às prateleiras de diferentes regiões com viabilidade de custos. "A logística propriamente dito eu vou ajudar você trazer o produto do Brasil e colocar o produto aqui e fazer a sua distribuição a pro nos Estados Unidos inteiro que seja seja pela Flórida seja pela Califórnia por Nova York por onde você quiser", detalha Rosana sobre o papel técnico de sua operação para alavancar as vendas nacionais lá fora.

Por fim, a consolidação de uma marca estrangeira no competitivo varejo norte-americano depende estritamente de pesquisa prévia e inteligência comercial. A logística é a ponte física, mas a adequação é o que sustenta o negócio a longo prazo. "A minha sugestão é sempre de fazer um estudo de mercado para saber se o sucesso que você tem no Brasil é o mesmo caminho do sucesso americano, como eu falei a gente tem que agir globalmente com a cabeça local", conclui, provando que a verdadeira expansão internacional começa pelo respeito às nuances do novo consumidor.