Foco exclusivo no tratamento afasta pacientes de exames de rotina nos Estados Unidos

Médica explica que o sistema americano prioriza o tratamento de doenças já instaladas

ECON News

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12 de abril de 2026
Foco exclusivo no tratamento afasta pacientes de exames de rotina nos Estados Unidos

A busca por hospitais de ponta e tecnologias médicas nos Estados Unidos esbarra em um desafio para o paciente cotidiano: o sistema americano é altamente capacitado para tratar a doença instalada, mas apresenta lacunas na prevenção. A médica Juliana Almeida, que acompanha famílias entre os dois países, expõe a diferença cultural e financeira que afeta a realização da medicina preventiva por americanos e imigrantes.

A cultura brasileira de profilaxia não é o padrão na América. "No Brasil, a gente tem o cuidado de estar sempre nos consultórios fazendo exames regulares, temos a cultura do check-up anual e do vermífugo. Nos Estados Unidos, o acesso é bem mais restrito, seja por questões financeiras ou pelas limitações do próprio seguro de saúde", diagnostica a profissional.

A adaptação do imigrante é afetada também pelo formato do atendimento. O modelo de negócios americano impacta a relação entre médico e paciente. "O acolhimento do médico no Brasil é completamente diferente. Meus pacientes aqui têm acesso quase 24 horas ao meu WhatsApp. Nos Estados Unidos, a cultura é do time is money (tempo é dinheiro), é sempre na correria", avalia Juliana. Ela conclui: "Embora a tecnologia e o cuidado sejam excelentes nos Estados Unidos quando as doenças já se instalaram, a prevenção ainda pode melhorar muito".