O negócio que lucra com a desinformação de brasileiros nos Estados Unidos

Rede criada por empreendedora combate cobranças abusivas por orientações básicas

ECON News

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07 de março de 2026
O negócio que lucra com a desinformação de brasileiros nos Estados Unidos

A vulnerabilidade do imigrante que não domina o idioma local criou um mercado paralelo de exploração dentro da própria comunidade brasileira nos Estados Unidos. Daniele Esteves, fundadora da RBL Publishing e do projeto Rede do Bem, estruturou suas operações justamente para combater indivíduos que cobravam taxas abusivas para fornecer informações de domínio público a famílias recém-chegadas.

O choque de realidade da empresária ocorreu logo nos primeiros meses na América. Ao buscar orientações simples, como procedimentos de matrícula escolar ou emissão de carteira de motorista, ela descobriu que a solidariedade custava caro. "A pessoa chegava e dizia que iria comigo na escola para tirar a dúvida, mas cobrava 70 ou 200 dólares por uma ajuda básica. Isso me deixava indignada", relata. Além da exploração financeira, Daniele critica a falsa narrativa propagada por criadores de conteúdo na internet. "A realidade contada dentro do YouTube por influenciadores é totalmente diferente da vida real".

A resposta corporativa e social a essa exploração foi a fundação da Rede do Bem. Iniciada em um único grupo de mensagens, a plataforma passou a disponibilizar gratuitamente todo o passo a passo burocrático, desde a abertura de contas até traduções de manuais de trânsito. "A gente jogou tudo na internet para as pessoas que chegavam. Fomos o primeiro grupo a lançar a apostila da carteira de motorista em português. Com isso, quebramos as pernas de muita gente que queria ganhar dinheiro se aproveitando dos outros". Hoje, a iniciativa liderada pela empreendedora conta com 182 grupos espalhados pelo país, funcionando como um ecossistema autossustentável de solidariedade e informação segura.