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Teimosia em não adaptar o cardápio ao paladar local quebra restaurantes no exterior
ECON News
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Empreender na gastronomia fora do Brasil exige entender muito bem a cultura e o paladar local. O erro mais comum — e fatal — do empresário brasileiro é tentar impor a nossa fartura de ingredientes a um consumidor americano acostumado com pratos mais simples e diretos. O chef Heliton Neto aprendeu essa dura lição de choque cultural quando trabalhava em uma pizzaria em Boston, antes de abrir seu próprio negócio em Orlando.
A frustração aconteceu ao tentar surpreender sua antiga patroa com a clássica abundância brasileira. "Ela pediu para eu fazer uma pizza brasileira. Preparei com todo o carinho e coloquei tudo que a gente gosta no Brasil: presunto, queijo, frango e caprichada no catupiry. Quando entreguei, ela simplesmente recusou. Disse que não queria comer porque a pizza tinha muita informação", relata Neto.
Essa rejeição virou a base da sua estratégia de negócios hoje. Em vez de tentar educar o cliente americano à força — uma teimosia que frequentemente leva restaurantes à falência —, ele adaptou a apresentação e focou na qualidade da massa.
"Precisamos entregar uma pizza com menos informação para eles. Hoje, quando recebemos o público americano, mandamos opções mais limpas, como a clássica pepperoni. Os clientes provam e ficam impressionados com a qualidade do preparo. É a nossa chance de mostrar que o brasileiro consegue fazer algo totalmente diferenciado jogando com as regras de consumo deles", garante o empresário, provando que a humildade para adaptar o produto é o grande segredo da sobrevivência.
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