Por que muitas empresas brasileiras falham ao tentar operar nos Estados Unidos

Eduardo Pyrrho explica como erros culturais e fiscais podem comprometer a expansão de negócios no mercado americano

ECON News

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10 de março de 2026
Por que muitas empresas brasileiras falham ao tentar operar nos Estados Unidos

A expansão de um negócio para o exterior exige que os empresários abandonem a visão tradicional sobre as obrigações fiscais. No competitivo mercado norte americano, os números ditam a sobrevivência ou a falência de uma operação. Com mais de duas décadas de experiência, Eduardo Pyrrho defende que a inteligência financeira é o principal alicerce da internacionalização corporativa. "A gente enxerga muito a contabilidade do ponto de vista estratégico, muito se fala da contabilidade do ponto de vista de atender simplesmente os complies fiscais mas a partir do momento que a gente atua mais no âmbito estratégico do planejamento, a gente acaba tendo uma ferramenta muito mais poderosa", afirma o especialista financeiro da E3L Financial.

O maior obstáculo para a consolidação de marcas brasileiras na Flórida é o choque cultural em relação às leis. Acostumados com a alta complexidade do sistema nacional, os investidores frequentemente tentam aplicar as mesmas métricas no exterior. "O primeiro ponto é a questão cultural. Os empresários brasileiros estão muito habituados a determinadas formas de operação, a determinadas questões tributárias e muitas vezes a gente tem que pensar um pouco diferente", explica o contador. Ele ressalta que as estruturas americanas exigem estratégias próprias para alcançar os objetivos.

Essa necessidade de blindagem contábil tornou se ainda mais urgente diante das recentes políticas econômicas e novas taxações de importação. A reestruturação das planilhas de custos passou a ser uma prioridade absoluta para evitar o colapso das margens de lucro. "Nas últimas semanas a gente acabou tendo que atender muita gente, muitos empresários do Brasil que fazem negócios com América e de modo que a gente tentou buscar e tentou minimizar essa condição do impacto", relata Eduardo Pyrrho, alertando que as tarifas impactam diretamente a precificação e o resultado do negócio.

Para traduzir esse cenário de extrema volatilidade fiscal aos seus clientes e orientar tomadas de decisão rápidas, o executivo utiliza a didática aprimorada ao longo de vinte anos de atuação como professor de MBA. A vivência acadêmica facilita a comunicação de conceitos complexos de forma clara e objetiva. Segundo ele, essa troca contínua de experiências entre a sala de aula e o mundo corporativo ajuda a construir e adaptar estratégias sob medida para quem chega aos Estados Unidos.

A internacionalização exige maturidade e suporte técnico especializado, provando que o amadorismo não tem espaço na maior economia do mundo. "Tanto para quem tá iniciando a sua empresa aqui na América ou para quem quer investir na América eu acho que o primeiro ponto é buscar profissionais competentes e qualificados para poder ajudar nesse processo", orienta o professor e especialista contábil Eduardo Pyrrho. O planejamento, afinal, precisa ser altamente individualizado. "Não existe uma receita de bolo para essa questão, cada empresa cada empresário cada investidor tem uma realidade, então a gente precisa fazer um diagnóstico", conclui o especialista.