Caminhos para a Internacionalização: a visão de Josefina Guedes sobre a inserção do Brasil no mercado americano

Estrategista Josefina Guedes detalha os caminhos para internacionalizar empresas com foco em segurança jurídica e ética.

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04 de fevereiro de 2026
Caminhos para a Internacionalização: a visão de Josefina Guedes sobre a inserção do Brasil no mercado americano

O processo de internacionalização de empresas brasileiras e a inserção estratégica no mercado norte-americano exigem muito mais do que bons produtos ou vontade de expandir. É preciso preparo, visão e uma leitura madura sobre diplomacia econômica e comércio exterior. Quem compartilha essa visão é Josefina Guedes, economista especializada em comércio exterior pela Florida University, fundadora da GBI Consultoria Internacional e vice-presidente da Central Florida Brazilian American Chamber of Commerce (CFBACC). Com ampla experiência em negociações internacionais e passagens marcantes pelo governo federal, Josefina fala sobre os desafios e oportunidades dessa jornada.

Josefina iniciou sua carreira muito jovem, aos 22 anos, no então Conselho de Política Aduaneira do Ministério da Fazenda, embrião do que hoje é a Secretaria de Comércio Exterior e a Camex. “Trabalhei com grandes economistas, ministros e juristas, participando da criação da política externa e industrial do Brasil. Essa vivência me deu uma bagagem sólida, especialmente nas negociações internacionais com o GATT e a OMC”, relembra.

Atualmente na vice-presidência da CFBACC, Josefina explica que o foco da instituição é consolidar-se como um verdadeiro hub estratégico entre Brasil e Estados Unidos. “A Câmara é a ponte entre o público e o privado. Nosso papel é esclarecer informações e apoiar indústrias brasileiras que buscam se internacionalizar, usando os instrumentos e legislações disponíveis na Flórida”, destaca. A entidade atua de forma integrada com órgãos de fomento estaduais e federais, facilitando o acesso de empresas brasileiras às oportunidades locais.

A especialista também destaca que o sucesso no mercado americano passa pela diversificação de portfólio e mercados, pelo aproveitamento de regimes especiais como as Free Zones da Flórida e pelo fortalecimento de parcerias estratégicas. “Produzir dentro do mercado americano permite acessar não só os Estados Unidos, mas também Canadá, México e Europa por meio de acordos de livre comércio”, explica.

Josefina ressalta ainda o potencial do Porto de Manatee, uma Free Zone apoiada pela Select Florida, braço estadual do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Essas zonas de livre comércio oferecem benefícios fiscais e logísticos para indústrias estrangeiras. “É um ativo essencial para quem quer investir em uma economia sólida e com segurança jurídica, mirando o crescimento de médio e longo prazo”, afirma.

Além de apoiar empresas brasileiras que querem expandir para os EUA, a Câmara também trabalha para atrair investimentos norte-americanos para o Brasil. Isso é feito por meio de delegações bilaterais em parceria com entidades como a Apex Brasil, os Consulados do Brasil em Miami e Orlando e órgãos de fomento locais.

Um dos principais focos da CFBACC é o apoio a pequenos e médios empreendedores. Todos os anos, a instituição promove o evento Small Business Administration Day, que conecta empresários a programas de incentivo e investimento, inclusive com investidores-anjo e fundos de capital. “Nosso objetivo é orientar quem está começando, mostrando os caminhos e recursos disponíveis para crescer de forma estruturada”, reforça Josefina.

Para ela, a inovação e a sustentabilidade já fazem parte do DNA das empresas que desejam competir globalmente. “Hoje, nenhuma indústria — pequena, média ou grande — pode ignorar a agenda ambiental, social e de governança. Ela precisa estar integrada à gestão, à transparência e ao processo produtivo”, afirma.

A CFBACC trabalha agora para se tornar um verdadeiro centro de pensamento estratégico na região central da Flórida. “Queremos ser referência para quem deseja internacionalizar. Um ponto de análise, transparência e conhecimento reconhecido tanto pelos setores privados quanto pelos públicos”, diz Josefina, que ainda destaca a importância de eventos como o ECON Road Summit, realizados tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. “O ECON traz informação e conhecimento. Mostra o caminho correto para quem quer vir para os EUA, entender as leis, estudar o mercado e se preparar para ter sucesso. Aqui não existe jeitinho, é preciso fazer tudo dentro das regras”, conclui.