Estratégias e barreiras regulatórias para a exportação de produtos brasileiros ao mercado norte-americano

O especialista Tarcízio Tadeu analisa a importância da certificação FDA e a necessidade de readequação de de margens de lucro

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17 de fevereiro de 2026
Estratégias e barreiras regulatórias para a exportação de produtos brasileiros ao mercado norte-americano

A internacionalização de marcas brasileiras nos Estados Unidos atravessa um momento de transição, onde a qualidade do produto nacional encontra gargalos significativos em investimentos regulatórios e estratégias de precificação. Tarcízio Tadeu, especialista em comércio exterior e diretor da Tadelui Venda Internacional, atua como uma ponte estratégica entre fabricantes brasileiros e compradores internacionais. Com décadas de experiência na facilitação de negócios, Tadeu destaca que, embora o Brasil possua um portfólio de alta qualidade em setores como alimentação, vestuário e construção civil, o sucesso no exterior depende do cumprimento rigoroso de normativas americanas e de uma visão de longo prazo sobre o investimento necessário para acessar a maior economia do mundo.

O primeiro e mais crítico passo para qualquer empresa que almeja o mercado americano é a regularização documental, especificamente o registro junto à Food and Drug Administration (FDA). Para Tarcízio Tadeu, este certificado é a "habilitação" indispensável para a operação. "É como eu sempre falo nas minhas palestras: quando você vem para os Estados Unidos, o que você tira primeiro, o visto ou o passaporte? Você tem que tirar o passaporte. Qualquer empresa precisa tirar o FDA, porque quando ela tira, está praticamente habilitada a trazer o produto", explica o diretor da Tadelui. Tadeu aponta que a relutância em investir nessas certificações é uma das maiores falhas do empresariado brasileiro, que muitas vezes enxerga o custo regulatório como uma barreira, e não como um ativo estratégico.

No que tange aos setores com maior potencial, a alimentação lidera a demanda, impulsionada pelo que o especialista chama de "mercado da saudade", mas que hoje já conquista americanos e hispanos pelo sabor e qualidade. Contudo, outros nichos ganham espaço devido à superioridade do acabamento brasileiro em relação à produção massiva global. "O Brasil sempre prima muito na qualidade. Temos alguns produtos que são de fácil introdução, principalmente se for alimento, vestuário e tecnologia. A bijuteria e os produtos de construção civil também são gargalos onde o Brasil pode atuar", pontua o especialista.

A questão tributária e a competitividade de preço também exigem uma nova engenharia financeira dos produtores. Tadeu esclarece que, embora a taxação americana seja tecnicamente paga pelo comprador, o impacto no preço final exige que o fabricante brasileiro reavalie suas margens de lucro para não perder espaço. "Há dois anos, as pessoas ganhavam 70% ou 80% de lucro. Agora, você precisa reduzir para 30% para ter competitividade, porque se o preço sobe demais, o comprador vai chiar. É preciso baixar o lucro para ter um produto competitivo", afirma o executivo.

A metodologia aplicada pela Tadelui para preparar essas empresas envolve a parceria com certificadoras especializadas em Washington e outros centros americanos, evitando o uso de ferramentas amadoras ou inteligência artificial para processos que exigem precisão legal. Tarcízio Tadeu enfatiza que o envio de amostras para formadores de opinião e compradores é o teste de fogo antes de qualquer exportação em larga escala. "Eu não quero que ninguém mande contêiner até que o mercado avalie as amostras e diga o que precisa ser mexido para o gosto americano", explica. O passo final para a viabilidade é a capacidade de escalonamento. "Se ele tem condições de produzir um contêiner e investir nos procedimentos como FDA, etiqueta e embalagem, ele está criando um legado para a empresa", conclui.

A exportação para os Estados Unidos, sob a ótica de Tarcízio Tadeu, é uma estratégia de sobrevivência e crescimento que blinda as empresas contra crises internas no Brasil, seguindo a máxima de que "quem exporta não fecha as portas". O fortalecimento da presença brasileira no exterior eleva a competitividade do país, desde que o empresário esteja disposto a trocar o ganho imediato pela solidez de um mercado regulado e vasto. Com a orientação correta e a disposição para investir em certificações oficiais, o produto brasileiro tem o potencial de deixar de ser apenas um item de nicho para se tornar uma referência de qualidade no comércio global.