Cultura do descartável em eventos americanos gera demanda milionária por sofisticação

Fugir da linha de montagem e entregar alma virou a maior estratégia de vendas na Flórida

ECON News

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17 de maio de 2026
Cultura do descartável em eventos americanos gera demanda milionária por sofisticação

Desembarcar no mercado americano de eventos é lidar com um choque de praticidade que beira a frieza absoluta. A cultura do descartável e das soluções industriais rápidas domina a grande maioria das recepções. No entanto, o que parecia ser a regra de ouro inquebrável dos Estados Unidos revelou-se a maior fraqueza do setor, abrindo uma fresta milionária para quem dominava a arte do acolhimento. A chef Karla Fonseca, criadora da marca Carlota, percebeu essa dor profunda e construiu uma empresa de alto padrão entregando exatamente o que faltava na América — alma e personalização.

A empresária relata que não chegou à Flórida com o plano de abrir um bufê, mas a total ausência de sofisticação no mercado local gritou aos seus olhos. "Existia uma demanda gigantesca do trabalho que a gente faz no Brasil, feito com louça de verdade, apresentação impecável e flores naturais. Aqui é tudo muito frio e prático, focado apenas em embalagens descartáveis", diagnostica a especialista.

A virada de chave ocorreu de forma muito orgânica. Ao preparar sua própria festa de aniversário utilizando o padrão estético brasileiro, o impacto foi imediato e poderoso. "Os convidados ficaram completamente encantados. A partir das fotos postadas nas redes sociais, a empresa foi surgindo naturalmente e ganhando uma força absurda", relembra.

A grande revolução do seu modelo de negócios foi a criação das ilhas gastronômicas, estações de comida que contam a história do evento através do design. "A minha marca sempre foi registrada em montar uma mesa que conta uma história real. Dependendo do tema, eu uso flores daquela cor exata, coloco a louça que conversa com o ambiente, e a comida tem tudo a ver com a proposta. Nunca uma ilha vai sair igual à outra, porque as pessoas envolvidas são diferentes e possuem sentimentos únicos. Não se trata só de comida, trata-se da experiência no todo", garante a chef, provando que fugir da linha de montagem fria é o verdadeiro luxo moderno.