A mente estratégica por trás da expansão global de grandes fintechs

Profissional explica como adaptação cultural e mentalidade de dono impulsionam a expansão global de fintechs

ECON News

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20 de fevereiro de 2026
A mente estratégica por trás da expansão global de grandes fintechs

A trajetória de um profissional no mercado internacional frequentemente exige desvios de rota e uma alta capacidade de adaptação. Humberto Moraes, gestor estratégico com atuação global, é um exemplo prático dessa dinâmica. Formado em engenharia civil e ex-empresário do setor no Brasil, Humberto imigrou para os Estados Unidos com o objetivo de estudar, mas encontrou na gestão de mercados e no marketing de influência o seu verdadeiro propósito. Atuando em posições de liderança em grandes fintechs de remessa internacional, como Sendwave, Taptap Send e LemFi, ele foi o responsável por capitanear a expansão do mercado brasileiro não apenas nos EUA, mas no Canadá, Europa e Emirados Árabes. Sua jornada revela que o sucesso global de uma empresa depende intimamente da compreensão das nuances culturais locais e de uma postura corporativa baseada no pertencimento e na proatividade.

A transição da engenharia para a liderança em fintechs não foi planejada, mas construída através de oportunidades abraçadas com visão de longo prazo. Humberto iniciou sua caminhada no setor financeiro atuando na base da operação, como promoter em eventos para a Sendwave. O reconhecimento de seu trabalho o levou rapidamente à área de gestão. "Eu comecei a dar bastante certo na área de gestão porque, para trabalhar nela, você precisa de uma visão a longo prazo. Eles perceberam que eu tinha esse comprometimento e estratégia", explica o gestor estratégico. Ele identificou que empresas internacionais, muitas vezes, não possuem clareza sobre o mercado brasileiro e tentam impor sua própria cultura corporativa, o que costuma gerar falhas na penetração do mercado.

Para Humberto Moraes, o grande diferencial do público brasileiro é a sua cultura relacional única. "O brasileiro é um povo diferenciado. Gosta daquele contato mesmo de abraço, de beijo. Muitas vezes, quando as empresas começam no mercado brasileiro, querem trazer a cultura do local onde estão, e acaba não dando certo. É muito importante ter alguém da cultura — um brasileiro, no caso — na empresa para saber lidar com esse público", avalia. Esse desafio cultural se multiplica quando a operação é global. Trabalhando a partir dos EUA para empresas de origem inglesa, Humberto precisa alinhar as expectativas de equipes indianas, europeias, africanas e americanas, adaptando essa pluralidade à realidade do consumidor brasileiro espalhado pelo mundo. "O brasileiro fora do Brasil cria uma cultura própria. Ele carrega a cultura do Brasil, mas também pega algumas coisas da cultura de onde ele está", observa.

No que tange à liderança, o executivo destaca um conceito fundamental para o crescimento corporativo: o ownership (sentimento de dono). "Eles buscam muito a pessoa para ser líder hoje em dia, em qualquer multinacional, que tenha ownership — trabalhar em prol do sucesso da empresa como se fosse o dono", pontua o líder de expansão. Ele ressalta que um líder global deve saber medir resultados através de métricas, testar hipóteses e, acima de tudo, ter a agilidade de ajustar a rota rapidamente frente aos erros.

Para os profissionais que desejam ingressar no setor de fintechs internacionais e desenvolvimento de mercados, os conselhos do executivo são pragmáticos. "Primeiramente, o inglês. Você precisa ter uma noção muito boa de interação interpessoal, pois terá reuniões com pessoas do mundo todo. E estude o mercado que você quer atuar", aconselha. Humberto frisa que sua própria ascensão foi fruto da demonstração contínua de que o mercado brasileiro possui um potencial gigantesco, algo que hoje é reconhecido e valorizado pelos bancos com os quais trabalhou.

A carreira de Humberto Moraes evidencia que a internacionalização de serviços financeiros vai muito além da tecnologia; trata-se de um exercício profundo de empatia e inteligência cultural. Como participante confirmado no Econ World Summit, que ocorrerá em capitais do Nordeste brasileiro e nos EUA, o gestor enxerga o networking e a troca de informações como os maiores ativos de um profissional em constante evolução. "Recomendo para todo mundo, independente da área. Vá, porque faz a diferença", diz sobre os eventos de negócios. A lição que Humberto deixa para a nova geração de executivos é clara: a liderança global não é alcançada apenas com diplomas, mas com a disposição de começar na base, a fluência cultural para conectar continentes e a mentalidade de dono para transformar desafios logísticos em mercados altamente rentáveis.