Economizar pode custar caro no mercado imobiliário dos Estados Unidos

Simone Negri mostra como cortar custos na assessoria pode gerar grandes prejuízos.

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17 de março de 2026
Economizar pode custar caro no mercado imobiliário dos Estados Unidos

A atratividade do mercado imobiliário norte-americano atrai dezenas de investidores brasileiros, mas a falta de cautela estrutural frequentemente transforma a busca por rentabilidade em prejuízos catastróficos. Muitos empresários, acostumados com o sucesso em seu país de origem, subestimam a complexidade de operar em uma nova jurisdição e acabam vítimas de fraudes bem elaboradas. Durante sua participação no ECON Experience, especialista em crédito e investimentos imobiliários Simone Negri analisou os bastidores dessas falhas operacionais, destacando que a confiança cega e a falta de assessoria técnica são as principais causas de ruína financeira no exterior.

Um dos maiores riscos na alocação de capital em construções ou compras conjuntas é a ausência de integridade dos captadores, que muitas vezes ostentam uma falsa reputação de credibilidade no Brasil. A profissional relembra um caso emblemático de desvio de fundos que lesou severamente os envolvidos. "Nós estamos falando de 5 milhões, os investidores trouxeram dinheiro e depois o cidadão começou a construir, parou de construir e o dinheiro também sumiu. Não deu certo porque a pessoa já não tinha integridade", relata Simone, ilustrando como as aparências podem mascarar um alto risco.

A autoconfiança excessiva do investidor brasileiro é outro fator que facilita a aplicação de golpes, especialmente quando envolve a apresentação de papéis forjados. A presunção de que a habilidade de gestão financeira no Brasil basta para auditar negócios na América costuma ser uma armadilha. "Teve um empresário que chegou no escritório e falou 'eu sou empresário, eu sei lidar com dinheiro' e acreditou, colocou o dinheiro, mas o documento também era falso, então ele não tinha como saber", exemplifica a profissional. Ela aponta que, sem o conhecimento profundo da burocracia local, até os executivos mais experientes tornam-se vulneráveis.

Para blindar o patrimônio e evitar que o capital desapareça em fraudes, a formação de uma equipe de assessoria americana é inegociável desde o primeiro dia. A tentativa de cortar custos na contratação de especialistas frequentemente resulta em perdas irreversíveis e problemas judiciais. "Às vezes você tem alguém do seu lado, um bom profissional, um broker que entende do negócio, e você evita muitas coisas. O que pecou foi que você tem que ter sempre um bom contador do seu lado e um bom advogado. Às vezes a pessoa quer economizar mil e gasta cem mil", orienta Simone.

O sucesso da internacionalização de ativos, portanto, não depende apenas do volume de dinheiro disponível para investimento, mas da rede de proteção construída ao redor da operação. O amadorismo e a economia baseada em atalhos são punidos de forma severa pelo rígido mercado imobiliário americano. Ao destinar recursos para a contratação de profissionais qualificados antes de fechar qualquer negócio, o empresário garante a segurança jurídica de seus contratos, atesta a veracidade dos documentos e protege o seu legado de forma definitiva.