O brasileiro que transformou US$ 300 em um case de sucesso no mercado americano

Amaury "Bigode" conta como criou sua hamburgueria na pandemia e diversificou nichos para garantir estabilidade financeira.

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19 de fevereiro de 2026
O brasileiro que transformou US$ 300 em um case de sucesso no mercado americano

A jornada empreendedora nos Estados Unidos é frequentemente marcada por narrativas de recomeço e superação, onde a capacidade de adaptação determina a sobrevivência. Amaury Barros Nascimento, empresário e fundador da hamburgueria Bigode Gourmet, exemplifica essa resiliência em sua forma mais pura. Motivado a deixar o Brasil após sofrer três assaltos traumáticos, ele chegou ao território americano e enfrentou a perda de seus investimentos iniciais e os impactos econômicos da pandemia de COVID-19. Com apenas US$ 300 no bolso e a necessidade de sustentar sua família, Amaury imergiu em estudos técnicos para criar um produto artesanal e autêntico. Hoje, atuando não apenas na gastronomia, mas também em construção, tecnologia e beleza, ele compartilha como a observação de mercado e a persistência transformaram um negócio de garagem em um case de sucesso reconhecido até mesmo pelo público americano.

A gênese do Bigode Gourmet não foi fruto de um planejamento corporativo tradicional, mas de uma análise pragmática de custos. Durante o pico da pandemia, as opções de investimento de Amaury eram limitadas a US$ 300. "Eu estudei abrir farmácia, precisava de muito investimento. Marmita era muito trabalho e pouco dinheiro. Pensei em hambúrguer. Mas nunca tinha feito hambúrguer na vida", relata o empresário. O diferencial veio do estudo aprofundado: ele pesquisou o blend (mistura) de carnes de diversas hamburguerias brasileiras e desenvolveu uma receita própria, 100% artesanal, que inclui até mesmo a fabricação de calabresa da roça. O início operacional foi modesto, com uma tenda de US$ 50 e uma chapa de US$ 80, instaladas em um estúdio alugado com a esposa.

O sucesso inicial foi impulsionado pelo uso estratégico das redes sociais. Sem uma marca definida, Amaury utilizou seu perfil pessoal de música para gerar as primeiras vendas. O crescimento foi tão rápido que, em poucas semanas, o negócio já demandava entregadores e um espaço físico próprio, após denúncias pelo alto volume de vendas informais. A conexão com o público americano e hispânico veio através do sabor. O empresário relata, com humor, as reações dos clientes locais: "Os americanos, quando comem meu lanche, me xingam primeiro. Eles falam 'what the f*** man', e eu pergunto o que está acontecendo. Eles dizem que está muito bom e pedem outro lanche". Para Amaury, o paladar brasileiro é, indiscutivelmente, o maior trunfo do seu produto no exterior.

Além da hamburgueria, a visão de negócios de Amaury é guiada pela teoria do "funil de vendas" aplicada a diferentes nichos. Ele mantém frentes de trabalho na construção civil, no mercado de beleza (em parceria com a esposa) e em eventos musicais. "A minha renda não fica limitada só à hamburgueria, que abro à noite. Quando vejo uma brecha num funil que dá para fazer dinheiro, eu entro nele", explica o fundador do Bigode Gourmet. Essa diversificação permite que ele aproveite tendências sazonais e mantenha a estabilidade financeira em um mercado dinâmico como o norte-americano.

O nome "Bigode Gourmet", curiosamente, não se originou de uma estética pessoal de Amaury na época, mas de uma homenagem afetuosa. O empresário batizou o negócio em memória de seu pai, falecido quando ele tinha apenas 11 anos. "Meu pai tinha um bigode fininho. Tudo o que faço hoje é inspirado nele, um guerreiro que não reclamava de nada e ajudava muito a comunidade. O Bigode surgiu por causa do meu pai", conta, emocionando-se ao lembrar do legado de empatia e empreendedorismo que herdou.

A trajetória de Amaury prova que o mercado americano ainda é um terreno fértil para quem alia estudo técnico à disposição para o trabalho duro. Para os brasileiros que hesitam em dar o primeiro passo no exterior, o conselho do empresário é um chamado à realidade do processo. "Nunca use o caminho mais rápido. Se o caminho certo é longo, vá no longo. Porque se você chegar lá na frente milionário sem passar pelo processo, não saberá lidar com isso", adverte o empresário. O sucesso do Bigode Gourmet é, portanto, o reflexo de um imigrante que escolheu não cortar caminhos, transformando a dor e a escassez em uma história de prosperidade multifacetada nos Estados Unidos.