O lucro oculto da logística e o perigo de terceirizar o frete porta a porta para os Estados Unidos

Especialista detalha como a estratégia D2C (venda direta) elimina custos ocultos na cadeia

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27 de abril de 2026
O lucro oculto da logística e o perigo de terceirizar o frete porta a porta para os Estados Unidos

A formação de preços para exportação frequentemente representa um gargalo estrutural para empresas brasileiras. O equívoco mais recorrente é projetar os custos apenas até a chegada no porto de destino, negligenciando a complexa teia logística da distribuição interna norte-americana. O especialista em logística internacional João Emílio Granato avalia que o controle rigoroso da operação door-to-door (porta a porta) é o principal diferencial para garantir a competitividade comercial no mercado americano.

"Existe uma deficiência mercadológica no entendimento da operação ponta a ponta. A precificação logística não pode ser terceirizada sem que haja uma visibilidade clara dos procedimentos operacionais", analisa Granato. Ele detalha a extensão obrigatória da composição de custos. "Na exportação de uma mercadoria do Brasil para os Estados Unidos, o cálculo transcende o frete internacional. É imperativo incluir os custos de origem, o desembaraço aduaneiro, o frete doméstico no país de destino e a entrega final via operações de fulfillment (centro de distribuição) até o consumidor."

Para ilustrar o impacto dessa falta de mapeamento, o executivo compartilha uma análise técnica sobre o varejo físico norte-americano. Ao estruturar vendas diretas para redes de supermercados, identificou-se o elevado peso financeiro da intermediação. "O varejo tradicional aplica uma margem média de 35% a 40%, sendo grande parte absorvida por custos logísticos internos. Ao utilizar representantes ou atacadistas, cada novo elo na cadeia de suprimentos representa uma compressão de margens severa, girando entre 35% e 45% sobre a operação de repasse."

A solução estratégica para evitar essa erosão da rentabilidade é a transição para o modelo de venda direta (Direct-to-Consumer ou D2C). "Por essa razão, avalio que a rota de exportação mais eficiente e segura para os Estados Unidos atualmente é a integração com ecossistemas logísticos como a Amazon. Esse modelo permite a identificação clara e antecipada do custo operacional e viabiliza a venda direta, eliminando intermediários e protegendo o faturamento da marca", orienta o profissional.